Entre todas as peculiaridades que se destacam nas eleições de 2022, as pesquisas apontam o menor número de eleitores indecisos nesta fase da campanha. Enquanto 22% do eleitorado ainda não decidiu em quem vai votar para presidente este ano, em 2014, último ano que houve uma candidatura que buscava a reeleição, o número era de 49% durante o mesmo período.

Como são feitas as pesquisas eleitorais?

Quem são os eleitores indecisos?

Segundo a BBC, que se baseia em um recorte realizado pela Quaest, “a maioria dos atuais indecisos são mulheres (64%), católicos (50%) e pardos (48%)”. Eles “vivem na região Sudeste do país (47%), têm renda familiar de até cinco salários mínimos (83%), não concluíram o Ensino Fundamental (40%) e têm idade entre 45 e 59 anos (26%)”.

Enquanto Lula lidera com 45% das intenções de votos, 33% do eleitorado está com Bolsonaro. A maioria dos indecisos, mulheres e os católicos dão uma vantagem acima da média geral ao ex-presidente sobre o atual. Indica que esse voto tende a ir mais para Lula e pode definir a eleição até no primeiro turno. Afinal, representa 7% do eleitorado brasileiro.

A diferença pode ser explicada por alguns fatores. Lula e Bolsonaro já foram presidentes, possibilitando uma comparação de resultado entre os postulantes.  A polarização é outro fator.  No último levantamento, de uma semana atrás, o petista tinha 41%, ante 35% do chefe do Executivo. Na simulação de um 2º turno entre Lula e Bolsonaro, Lula venceria com 52% dos votos e o presidente ficaria com 39%. Na semana passada, o placar era 51% a 38% para o ex-presidente.

Outro fator relevante é a taxa de rejeição. Segundo a pesquisa, Lula tem 45% de rejeição – no último levantamento, o petista marcou 47%. Bolsonaro registrou 55% de rejeição (era 56%). Ciro Gomes marcou 48% (era 47%).

Esse é um dado importante não apensas para nortear o eleitor sobre quais candidatos tem maior chance de se elegerem, mas é serve também para pautar as propostas eleitorais e estratégias de campanha, bem como as discussões dos especialistas e da mídia.

Há de se levar em conta também o fator da campanha que tem sido feita visando uma terceira via. Havendo um segundo turno, entra em disputa também o voto de quem não prefere nem Lula nem Bolsonaro. As pesquisas apontam que tal eleitor tende a migrar para Lula num segundo turno.

Segundo o último levantamento do Datafolha, os eleitores indecisos e da terceira via dão a Lula o favoritismo num eventual segundo turno contra Bolsonaro. Caso a eleição fosse hoje, o petista venceria o segundo turno por 54% a 37%, conforme o Datafolha, ou por 51% a 38%, de acordo com a Quaest.

Por Hans Weinner/Ascom Unale

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