Estagiários de vários setores da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, lotaram o Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, nesta semana, para participar de uma edição especial do programa Fala Jovem.
A atividade foi idealizada por um Grupo de Ação de funcionários negros da Alesc, com a colaboração da Coordenadoria de Estágios, Integração e Desenvolvimento (CEID), e apoio do Sindalesc.
O encontro promoveu um diálogo sobre identidade, representatividade e valorização da história da população negra, encerrando a programação alusiva ao Mês da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em Julho.
Homenagem a Antonieta de Barros
A edição também prestou homenagem aos 125 anos de nascimento de Antonieta de Barros, primeira deputada negra de Santa Catarina e do Brasil, destacando seu legado para a educação, a política e a luta pela igualdade racial.
Educação, cultura e identidade
Como convidadas, participaram a educadora Valdeonira Silva dos Anjos, fundadora e matriarca da Escola de Samba Dascuia, e a professora de História e educadora antirracista Carol Carvalho.
Em um bate-papo marcado pela troca de experiências, ambas compartilharam suas trajetórias e promoveram reflexões sobre identidade cultural, representatividade, racismo e a importância da preservação da memória da população negra.
Para Carol Carvalho, pensar o mundo a partir da perspectiva das pessoas negras, especialmente das mulheres negras, passa pela articulação entre educação, arte e cultura.
Segundo a educadora, esses elementos fortalecem valores como a oralidade, a ancestralidade e a coletividade, presentes em diferentes manifestações culturais, como as escolas de samba.
Ela destacou que esses espaços promovem o fortalecimento da identidade, a inspiração e o resgate de referências historicamente negadas em razão da escravidão e do colonialismo.
“Quando as pessoas podem ser exatamente quem são, elas contribuem para a construção de uma sociedade mais livre de discriminação”, afirmou.
Legado e oportunidades
Durante a programação, foi exibido um vídeo sobre a trajetória de Antonieta de Barros, ressaltando sua atuação pioneira em defesa da educação pública e sua contribuição para a história política de Santa Catarina e do Brasil.
Os estagiários também conheceram o Programa Antonieta de Barros, iniciativa voltada à formação e à geração de oportunidades para jovens.
A apresentação destacou a atuação de Jeruse Romão, uma das idealizadoras do Programa Antonieta de Barros e integrante do Fórum da Mulher Negra de Florianópolis, e de Valdeonira dos Anjos, uma das convidadas que é liderança histórica do movimento de mulheres negras e professora renomada na formação de jovens periférios.
Espaço para diálogo e reflexão
Ao longo do encontro, os participantes tiveram espaço para fazer perguntas, compartilhar experiências e aprofundar o debate com as convidadas, tornando a atividade um momento de escuta, aprendizado e reflexão sobre a valorização da diversidade e o combate ao racismo.
ALESC EXPLICA
Quem foi Antonieta de Barros?
Antonieta de Barros (1901–1952) foi professora, jornalista e a primeira deputada negra de Santa Catarina e do Brasil. Defensora da educação pública, da alfabetização e da participação das mulheres na política, tornou-se uma das principais referências da história catarinense e da luta pela igualdade racial.
O que é o Programa Fala Jovem?
O Fala Jovem é uma iniciativa da Coordenadoria de Estágios, Integração e Desenvolvimento (CEID) da Assembleia Legislativa que promove encontros com estagiários para debater temas de interesse social, político e institucional, incentivando a formação cidadã e o diálogo.
O que é o Programa Antonieta de Barros?
É um programa voltado à formação e à geração de oportunidades para jovens, inspirado no legado da educadora e parlamentar Antonieta de Barros e desenvolvido para ampliar a inclusão e o acesso à qualificação.
O que é o Mês da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha?
A campanha tem como marco o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, e busca valorizar a contribuição histórica das mulheres negras, além de promover debates sobre igualdade racial, direitos e combate ao racismo.
Fonte: ALESC



