Por Dalciso Oliveira(PSB)
Deputado Estadual 
Mesmo que as tecnologias tenham vindo para trazer inovações e acelerar os processos nas mais diversas indústrias, há atividades que sempre terão a impressão digital do ser humano. A profissão de sapateiro é uma delas. Sendo uma das profissões mais antigas do mundo, o “saber fazer”, a “expertise” na confecção do calçado gaúcho é, indiscutivelmente, uma arte e, como tal, requer habilidades essencialmente humanas.
A profissão que sobreviveu através dos séculos foi transmitida de geração em geração. No Rio Grande do Sul, teve origem com a chegada de imigrantes alemães, no século XIX. Da necessidade de buscar alguma proteção para os pés enfrentarem os obstáculos do solo, do frio e de outras ameaças, o ser humano passou a produzir de forma artesanal sapatos que serviriam, à época, apenas como um utensílio básico para a melhor sobrevivência. Esse processo começava com o curtimento do couro para depois chegar à produção. A profissão nessa fase possuía fortes traços de identidade que se faziam presentes na transmissão do ofício nas famílias. O domínio da técnica era um bem precioso e a qualificação para esta mão de obra era e é, até hoje, uma exigência do mercado.
Entretanto, ao longo dos tempos, como toda a tarefa humana é inerente ao contexto social, à emoções e criatividade, este simples produto de uso diário passou a ser também de uso estético, um bem de consumo de grande procura e, assim, suas possibilidades de modelagens foram se expandindo. A tecnologia, aliada ao conhecimento, levou o homem a desenvolver calçados cada vez melhores, a indústria se expandiu e, hoje, o Brasil é um importante um exportador de calçados. Atualmente, 80% da produção brasileira de calçados advém das regiões Sudeste e Sul, onde os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul se destacam como os dois grandes polos produtores. As exportações de calçados somaram 86,2 milhões de pares até setembro deste ano, que geraram US$ 618,5 milhões, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados- Abicalçados. Esse valor representa um incremento de 33,7% em volume e de 26,3% em receita no comparativo com igual período do ano passado. Para o final do ano, a previsão é de um crescimento de 25%, em pares, na relação com 2020.
Esta grande cadeia produtiva está enraizada no nosso DNA e o povo gaúcho possui a expertise e a vocação para esta atividade fabril. Como empresário, representante do setor coureiro-calçadista, desde o início do mandato na Assembleia Legislativa defendo este Rio Grande que produz e enalteço a memória de todos os antepassados sapateiros e todos os trabalhadores deste setor produtivo tão importante para a economia gaúcha e brasileira. Esta data é mais que uma homenagem, é um reconhecimento à tradição gaúcha de fazer calçados, com qualidade e sabedoria.  Estes profissionais, e com muita honra me incluo na categoria, merecem todo nosso respeito e admiração.
Parabéns a todos que dignificam esta nobre profissão!