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Foto: Divulgação

Na última segunda-feira (01), foram completados 30 anos do Plano Real. A medida econômica foi uma das propostas mais inovadoras da economia mundial ao substituir o cruzeiro real, uma moeda corroída pela hiperinflação, no real, que estabilizou a economia brasileira.

O plano foi uma aposta arriscada da equipe econômica à época, que envolveu uma engenharia social específica com objetivo de desindexar a inflação, que chegou a atingir 2.000% ao ano, após sucessivos planos econômicos fracassados e se baseou em três pilares básicos: controle fiscal; equiparação ao dólar; criação de uma moeda forte. Em meio a tantos indexadores criados para corrigir os preços e os salários, a equipe econômica do então presidente da República, em 1994, Itamar Franco, criou um super indexador: a Unidade Real de Valor (URV).

Durante três meses, todos os preços e salários foram discriminados em cruzeiros reais e URV, onde a cotação variava todos dias e era mais ou menos atrelada ao dólar. Até o dia da criação do real, em que R$ 1 valia 1 URV, e 1 URV valia 2.750 cruzeiros reais.

Com a economia completamente indexada, a URV conseguiu realinhar os preços relativos, que medem a quantidade de itens de bens e de serviços distintos que uma mesma quantia consegue comprar. Isso, somado a um câmbio fixo e a juros altos, com objetivo de atrair capital externo, o plano real deu certo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em junho de 1994, tinha chegado a quase 47,5%. O indicador caiu para pouco menos de 7% no mês seguinte e, em dezembro daquele ano, atingiu o 1,71%.

Articulação política

Os louros do sucesso do plano real não se devem unicamente à URV e a equipe econômica do governo federal da época. Em um momento raro de consenso político, o Congresso Nacional foi fundamental para aprovar medidas que saneavam as contas públicas. Entre elas, a criação do Fundo Social de Emergência, que desvinculou parte das receitas do governo, flexibilizou a execução do Orçamento no segundo semestre de 1993 e destinou 15% da arrecadação de impostos para o pagamento de programas sociais. O plano ainda gerou um corte de R$ 22 bilhões no Orçamento e um aumento de 5% nas alíquotas de todos os impostos nacionais.

Ainda em 1994, Fernando Henrique Cardoso, senador, ministro da Fazenda e líder da equipe econômica que criou o plano real, pediu apoio do Congresso Nacional para aprovação de outras medidas, que, segundo ele, garantiriam a consolidação do plano, como as reformas administrativa e previdenciária, tudo isso, antes de assumir a presidência da República Federativa do Brasil em 1° de janeiro de 1995.

Por Gabriel Spies/Ascom UNALE

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