welson_gaspariniWelson Gasparini, deputado estadual pelo PSDB-SP

 Paris, capital da França e um dos cenários turísticos mais belos do mundo, viveu, no último final de semana, outros momentos trágicos, muito mais ainda do que o atentado, ocorrido em janeiro deste ano, contra os jornalistas do semanário satírico Charlie Hebdo. Naquela oportunidade, milhares de pessoas protestaram usando camisetas estampadas “Je Suis Charlie”.

Vivemos, atualmente, uma espécie de filme de terror e de suspense, ao nosso lado e longe de nós, mostrando bem a fragilidade da nossa aldeia global na qual uma barragem rompida (a exemplo das barragens da Samarco/Vale, em Mariana, devastando pessoas e o ecossistema de Minas até o oceano Atlântico), uma bala perdida, um assalto, homicídio, latrocínio ou algo semelhante podem nos alcançar a qualquer instante.

Atentados como o da última sexta-feira em Paris estão se tornando comuns e loucuras tais nos deixam incrédulos em relação a tudo, enquanto algumas pessoas, irresponsavelmente, fazem piadas nas redes sociais com assuntos tão graves. E ainda há quem ache graça e repasse idiotices sem pensar na dor incomensurável vivida pelas vítimas diretas e indiretas dessas tragédias.

Mais de 129 mortos e 352 de feridos, 99 dos quais em estado grave, é o balanço fornecido pela procuradoria de Paris da série de atentatos terroristas ocorridos na sexta-feira, 13 (um dia macabro), em seis pontos diferentes de Paris e no Estádio de futebol S. Dinis, nos arredores da capital, enquanto ocorria um jogo de futebol amistoso entre a Alemanha e França, assistido pelo presidente francês François Hollande, evacuado ileso pelos seus seguranças. Os outros atentados tiveram lugar em pleno centro de Paris, numa zona muito frequentada da vida noturna, notadamente na badalada casa de espetáculos Bataclan onde seis terroristas entraram disparando rajadas de Kalashnikov, fazendo mais de 99 mortos, depois de uma tomada de reféns de mais de 100 pessoas, obrigando a polícia especial intervir.

As imagens do atentado no Bataclan foram documentadas pelo fotografo Wanu Mino, que estava no local fotografando o concerto da banda de rock californiana Eagle of Death; ele saiu ileso da sala de concertos e decidiu não só publicar as fotografias como permitir a sua divulgação gratuita. Como a toda ação corresponde uma reação, a força aérea francesa já iniciou bombardeios atingindo alvos do grupo terrorista Estado Islâmico, com dez aviões caças franceses lançando bombas sobre Raqqa, no norte da Síria, que os bandidos tornaram sua capital.

No último domingo, sempre sábio e oportuno, o papa Francisco lamentou a “barbárie” dos atentados em Paris e disse, no final da oração do Ângelus, perante os fiéis na praça de São Pedro, que utilizar o nome de Deus para justificá-los “é uma blasfêmia”. “Tanta barbárie nos deixa consternados e nos interroga sobre como pode o coração humano idealizar e cometer atos tão horríveis, que transtornaram não só a França, mas o mundo inteiro?”, explicitou o pontífice. Francisco reafirmou, com vigor, que a “a via do ódio e da violência não resolve os problemas da humanidade”.

Como cristão, só posso mesmo concordar com o papa: o caminho do ódio e da violência não resolve os problemas da humanidade porque, lamentavelmente, é um caminho sem volta…

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