Interatividade, colaboração e conectividade são as palavras de ordem para os mandatos, aponta palestrantes durante painel

Diante do contexto social e político em que o Brasil está inserido, as Casas Legislativas devem agir de forma mais colaborativa e integrada aos problemas e anseios da população. O alerta foi feito pelo professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Humberto Martins, durante a sua palestra no terceiro painel do segundo dia de Conferência da Unale, que aconteceu na manhã desta quinta-feira (10). O especialista explicou que por conta do advento da sociedade em rede, da dinâmica territorial – que vai além das fronteiras político-administrativas-, e do baixo aproveitamento de recursos, os parlamentos precisam ainda ter um papel bastante ativo no sentido de direcionamento de políticas públicas.

Por isso, de acordo com o docente, os mandatos parlamentares precisam garantir que os cidadãos tenham abertura, permeabilidade e participação plena na construção das políticas públicas. “Os indivíduos estão cada vez mais hiperconectados e isso proporciona uma comunicação autônoma e livre do controle das instituições. Isso dá a todos nós uma grande capacidade de mobilização e permite, de uma certa forma, ‘emparedar’ as instituições. Há também um deslocamento entre o Brasil real e os limites municipais e estaduais, então a gente tem que pensar para além das fronteiras, nos fluxos que passam por esses territórios e trabalhar em conjunto”, alertou, complementando ainda que “no Brasil ainda existe o problema de recursos que não são aproveitados da maneira correta, por conta de gestões medíocres”, o que para o Humberto precisa ser sanado com uma governança pública colaborativa.

Tendências – Ministrando a palestra em conjunto com o professor Humberto Martins, a consultora de políticas da Câmara dos Deputados, Ana Caroline Brito, apresentou aos presentes um panorama das eleições 2022.

Com os resultados das urnas garantindo uma presença forte de nomes conservadores no Congresso e um presidente eleito de esquerda, a especialista destacou que a pauta econômica será a única que haverá consenso. “Essas eleições foram bastante atípicas, por isso é possível analisar que o foco de atuação será a pauta econômica. As pautas ideológicas, muito presentes nos últimos quatros anos, vão ficar em segundo ou terceiro plano, já que o presidente puxará para um lado e o Congresso Federal para o outro, numa espécie de cabo de guerra”, explicou.

Para Ana Caroline, as agendas de discussão no parlamento seguirão temas como liberalismo econômico, homeschooling, porte de armas e questões em torno do desenvolvimento versus meio ambiente. “O endireitamento das Assembleias fará com que as pautas sejam em sua maioria conservadoras”, pontuou.

por Mariana Clarissa

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