Muitas coisas mudaram com a realidade da pandemia, causada pelo Coronavírus. Regulamenta pelo Ministério da Saúde, por meio da Portaria Nº 467 e sancionada pela Lei Nº 13.989, o atendimento médico e psiquiátrico online (telessaúde) tem sido importante para reduzir o número de pessoas que buscam atendimento em hospitais e clínicas, deixando assim de se expor à Covid-19.

O texto da medida contempla o atendimento pré-clínico, de suporte assistencial, de consulta, monitoramento e diagnóstico, por meio de tecnologia da informação e comunicação, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e também da rede privada.

Dando o exemplo, o Ministério da Saúde iniciou o atendimento online de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em maio. As consultas virtuais são realizadas por equipes que contam com cerca de 20 mil médicos e enfermeiros que atuam nas unidades de Saúde da Família de todo país.
Além do consultório virtual, a população pode acessar o TeleSus para atendimento pré-clínico por telefone, chat on-line e aplicativo para acompanhamento em caso de suspeita da covid-19.

“Para nós profissionais foi um processo de adaptação muito acelerado, no qual tivemos que reestruturar e adequar nosso atendimento para continuar trabalhando, e fazer tudo isso de forma humanizada para não parecer frio”, disse a nutricionista Patrícia Melo. Segundo ela, a novidade do teleatendimento de saúde ainda deixa as pessoas inseguras e resultou em queda nos atendimentos.

Patrícia opina que provavelmente esse teleatendimento, já possível para a medicina, deve perdurar após a pandemia. “No primeiro momento foi necessário. Agora, acredito que outras áreas, como a nutrição, poderão flexibilizar e serem autorizadas a também trabalhar online, visto o trabalho de qualidade que vem sendo feito e com certas adequações, claro”, pontuou a nutricionista.

 

TELEMEDICINA PRÉ E PÓS PANDEMIA
O que muita gente não sabe é que alguns serviços de saúde já estavam à frente dessa nova resolução, como os atendimentos psiquiátricos e psicológicos. Marina Araújo, 24 anos, iniciou o tratamento online com psicóloga em outubro de 2019, para tratar as crises de ansiedade e afirma que não vê diferença na qualidade do atendimento presencial.

“Além do valor ser mais acessível, você se sente mais segura e confortável para se abrir por estar em um ambiente que já conhece. A profissional sempre me compreendeu e me auxiliou da melhor forma, mesmo após o tratamento, e eu melhorei bastante meu estado mental”, relatou.

Outro exemplo é Santa Catarina, onde a rede estadual de saúde começou a usar a telemedicina há 15 anos, com o objetivo de evitar os deslocamentos de pacientes do interior para as cidades. Em média, 85 mil exames são realizados por mês dentro do sistema, evitando a movimentação de 40 mil pacientes no estado.

Representantes do estado estiveram presentes em videoconferência promovida pela comissão externa da Câmara dos Deputados, que discutiu a regulamentação da telemedicina no Brasil, após o período de pandemia. Na ocasião, aos parlamentares se disseram cientes de que, adotada emergencialmente e de forma transitória durante a pandemia de Covid-19, a modalidade veio para ficar e deverá seguir regras claras após a crise em saúde por que passa o País.

Durante a reunião foram evidenciados os benefícios da prática, como: a praticidade de não necessitar de deslocamento, a possibilidade de ampliação no número de atendimentos, a integração e racionalização de recursos, além de ampliar a abrangência dos atendimentos. Em contraponto, opositores destacaram a falta de estrutura e acesso à internet, a necessidade de legislação específica para responsabilização e autonomia dos profissionais e pacientes, bem como a necessidade de um tabelamento dos serviços, por conta da concorrência desleal.

 

Marina Nery / Ascom Unale
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