Mauro Paulino e Alessandro Janoni, Diretor-geral e Diretor de Pesquisas do Datafolha

Os resultados da semana passada já retratavam o início do desgaste da ambientalista, que conhecia então sua maior taxa de rejeição. Agora, além de variar de maneira mais expressiva nas intenções de voto, a ex-ministra vê a reprovação a seu nome bater novo recorde, dobrando sua rejeição inicial. Esse aumento se deu especialmente em cidades menores, abaixo dos 200.000 habitantes.

Se na pesquisa anterior, a oscilação negativa do apoio a Marina, dentro da margem de erro, justificava-se pela concentração da queda em estratos de baixo peso quantitativo, como no dos mais ricos, a maior intensidade do movimento agora se deve ao alcance de vários segmentos, inclusive alguns de participação relevante na composição do eleitorado. Em dez dias, a candidata oscilou três pontos entre os que têm renda até 5 S.M, que correspondem a 77% da população, caiu quatro pontos entre os eleitores do Sudeste e três entre os que moram no Sul, que juntos somam 58% dos brasileiros.

E quem mais se beneficiou da guerra entre Dilma e Marina foi justamente aquele que ficou fora dela. A estratégia da campanha de Aécio de reuni-las sob o rótulo do continuísmo e de se posicionar como o candidato da “mudança de fato”, parece ter surtido efeito em parte dos eleitores. Em 15 dias, o tucano oscilou positivamente três pontos percentuais, destacando-se entre os mais escolarizados e ricos. O candidato carece de melhor desempenho no Norte e no Nordeste, onde encontra-se bem abaixo de sua média.

Mesmo com as alterações, os dados ficaram dentro da zona de variabilidade calculada pelo Datafolha no levantamento anterior e não provocaram por enquanto mudanças significativas no cenário. Sobre o futuro, as projeções para a próxima semana também sofrem oscilações. Caso não ocorram fatos de grande repercussão, o potencial de Dilma ficará entre 33% e 40%, o de Marina entre 26% e 33% e o de Aécio entre 15% e 21%.

Para chegar ao segundo turno, Aécio deve torcer por um feito inédito em eleições presidenciais nesta etapa da disputa – sua candidatura crescer além de seu teto e Marina cair abaixo de seu piso.

Publicado na Folha de São Paulo em 19/09/14

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