Por: Carlos Thadeu 

Economista-chefe da CNC

A economia brasileira segue em ascensão baseada na evolução favorável do mercado de trabalho. Os últimos dados do Ministério do Trabalho e Previdência mostraram a criação de 277.018 empregos formais, acumulando saldo líquido positivo de 1.051.503 novas vagas nos primeiros 5 meses do ano. A criação líquida de vagas ocorreu em todos os meses desse ano.

A taxa de desemprego, por sua vez, atingiu o menor nível desde o início de 2016, 9,8% no trimestre terminado em abril. O resultado reforça os resultados positivos do setor terciário como já discutimos, confirmando o avanço do comércio e dos serviços.

O avanço do mercado de trabalho vem incentivando o consumo, grande motor do crescimento econômico. A ICF (Intenção de Consumo das Famílias), apurada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), superou, em junho, os resultados apresentados no mesmo mês em 2020 e 2021, tendo crescimento de 10,1% no 1º semestre do ano.

Com maior otimismo dos consumidores, os empresários também estão percebendo um momento mais favorável para o comércio. O Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio), divulgado pela CNC, teve uma alta nesse mês de 24,4% ante junho do ano passado. Com isso, o otimismo entre os tomadores de decisão do varejo registrou o maior patamar desde março de 2020, quando começou a pandemia de covid-19.

Os maiores desafios atuais são referentes a inflação e aumento dos juros, tanto no Brasil quanto no mundo, devido à demanda represada durante a pandemia, e pelos problemas na oferta também pela Covid-19 e pela guerra no Leste Europeu. No entanto, apesar de os indicadores de preços no Brasil continuarem em níveis elevados e afetando o poder de compra da sociedade, já se pode perceber arrefecimento da inflação.

O IPCA, indicador oficial de inflação do país, ficou em 0,47% em maio, uma desaceleração em relação aos 1,06% encontrados em abril e levando o resultado acumulado em 12 meses de 12,13% para 11,73%. É importante destacar a redução do segmento de alimentos e bebidas no mês, que diminuiu de 2,06% em abril para 0,48% em maio. Sendo itens de grande peso nos gastos correntes da população, sua desaceleração auxilia na manutenção das compras essenciais. Esse movimento já está levando o mercado a revisar para baixo a previsão para o IPCA desse ano.

O Banco Central vem cautelosamente elevando a taxa Selic para conter esse avanço inflacionário e atrelar as expectativas, mas sem prejudicar a recuperação econômica. Esperamos que os juros já tenham alcançado o seu nível mais alto. Como essa elevação começou a ocorrer logo no início do processo inflacionário, os resultados positivos já devem começar a aparecer, e os juros devem começar a cair ainda esse ano.

A situação externa pode piorar nos próximos meses, devido à guerra na Europa e ao aumento projetado nos juros americanos, porém, o Brasil conseguirá tomar as medidas necessárias para manter a estabilidade econômica, tendo possibilidades com as privatizações e concessões. Além disso, o Brasil deverá registrar um saldo comercial alto esse ano, pressionando pela queda no dólar, apesar da moeda estar subindo no momento pelos movimentos de alta dos juros nos Estados Unidos.

Embora a inflação e os juros altos continuem travando o crescimento maior no país, seus efeitos negativos devem arrefecer e proporcionar um 2º semestre mais positivo, colaborando para um resultado melhor do PIB em 2022, que pode ser acima de 2%.

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