Juliana Coissi/ Lucas Reis

Os candidatos que disputaram uma vaga de governador neste ano gastaram, juntos, R$ 1,146 bilhão com suas campanhas. Os valores, informados na prestação de contas dos partidos ao TSE incluem, por exemplo, custos com viagens e programas de TV.

O campeão individual de gastos entre os 163 candidatos a governos estaduais foi o petista Fernando Pimentel (MG). Sua campanha custou R$ 52,2 milhões.

Pimentel derrotou o tucano Pimenta da Veiga (que gastou R$ 43,1 milhões). Os altos valores espelharam a disputa nacional, também polarizada entre o PT de Dilma Rousseff e o PSDB de Aécio Neves.

Ainda que Minas seja o segundo colégio eleitoral do país, menor que São Paulo, as campanhas de Pimentel e Pimenta da Veiga foram mais caras que as dos primeiros colocados na disputa paulista.

Em São Paulo, o PT desembolsou R$ 40,2 milhões com a campanha de Alexandre Padilha, quase o mesmo que o tucano reeleito Geraldo Alckmin (R$ 40,4 milhões). O montante reflete a tentativa, frustrada, do PT de governar SP pela primeira vez.

Paulo Skaf (PMDB), 2º colocado, declarou ter tido custos de R$ 29,2 milhões.

Quando considerada a soma de gastos de todos os candidatos, o Estado de São Paulo teve a campanha mais cara do país – R$ 111,5 milhões. A segunda corrida eleitoral com mais gastos foi de fora do Sudeste: a do Ceará, com R$ 103,9 milhões. Em seguida vem Minas (R$ 97,9 milhões).

O valor recorde no Estado nordestino deve-se às campanhas de Camilo Santana (PT, R$ 51,1 milhões) e de Eunício Oliveira (PMDB, R$ 49,3 milhões). O petista elegeu-se em 2º turno acirrado e com a bênção do governador Cid Gomes (Pros).

GASTOS PÚBLICOS – Para o cientista político Adriano Oliveira, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), disputas acirradas e colégios eleitorais estratégicos não significam, necessariamente, gastos maiores.

“Campanhas majoritárias são mais caras, principalmente entre candidatos com mais chance/vitória. Mas pode haver um azarão c/chances e que gaste menos”.

Ainda segundo Oliveira, a cifra de R$ 1 bilhão gasta no país joga contra a proposta de gastos públicos em campanhas eleitorais. “A despesa serve de exemplo para que o Congresso não aprove o financiamento público. Os custos não podem ser do Estado, que já banca o fundo partidário.”

Publicado na Folha de São Paulo em 01/12/14

Compartilhe!