donizetebragaLeia o artigo do Coordenador da Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, da Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado Donisete Braga.

 

donizetebragaO crack avança. Já está em nossas médias e pequenas cidades do interior e até no campo. Dados do Ministério da Saúde apontam que 600 mil pessoas são usuárias da droga no País.  Um especialista no assunto diz que o crack altera não apenas a vida do viciado, mas de toda a sociedade do entorno. Uma triste verdade.

Alerta também que as pessoas estão se acostumando a ver viciados fumando crack, como se acostumaram a ver a pobreza. Estimativas são de que o consumo do crack leve cerca de 300 mil pessoas à morte nos próximos seis anos.De tão dramático, o tema chegou a ser destaque na última campanha eleitoral. No final do ano passado, a Confederação Nacional dos Municípios patrocinou uma pesquisa e o resultado mostrou um quadro alarmante: o consumo do crack se disseminou em mais de 3,8 mil, dos 5,5 mil municípios brasileiros.

O combate ao crack é preocupação do governo da presidente Dilma que prepara um grande plano nacional destinado a este enfrentamento. A idéia é aprofundar o plano lançado no ano passado pelo presidente Lula.

O governo federal, já este ano, anunciou a implantação de 49 Centros Regionais de Referência em Crack e outras Drogas. Os Centros – que funcionarão nas universidades – vão capacitar profissionais da saúde e educação que atuam com o tema da dependência química. O governo federal também aumentou o número de leitos do SUS para atender os dependentes da droga.

É preciso esforço para aumentar o número de CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), do Ministério da Saúde. E voltando à pesquisa da CNM, ela constatou que estes centros estão em 81 cidades das 520 consultadas em nosso Estado, que têm 645 municípios. Outras 221 cidades desenvolvem ações por conta própria.

O governo de São Paulo, apesar de ter engordado seu orçamento em R$ 9 bilhões com aumento da arrecadação no ano passado, não tem grandes esforços nesta área. Dos municípios consultados pela CNM, apenas dois disseram que contam com apoio do governo estadual.

É preciso, portanto, um grande esforço dos poderes públicos para enfrentar este mal que atinge, principalmente, os jovens. É preciso, além de investimento público, carinho e atenção para com os dependentes e suas famílias. Universidades, entidades, organizações governamentais têm um papel importante e que deve ser reforçado.

Há muitas portas de saída para o vício da droga. Muitos se recuperam. Temos que abri-las, escancará-las, atender a demanda e, por outro lado, combater  a entrada de drogas por nossas fronteiras, medida que pode ser fortalecida por meio de uma parceria entre União, Estados e Municípios. Aliás, essa medida torna-se ainda mais estratégica devido à recente mudança de perfil dos jovens infratores em nosso estado. O tráfico de drogas agora lidera a internação dos adolescentes da Fundação Casa, especialmente no interior do Estado.

Temos, assim grandes desafios pela frente, na área de segurança pública e saúde, principalmente.

Donisete Braga (PT) é deputado estadual da Assembleia Legislativa de São Paulo

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