José Pastore, professor da FEA-USP, presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomercio-SP e membro da Academia Paulista de Letras

O ano de 2022 terminou com um expressivo aumento da população ocupada e uma boa redução da desocupada. Todavia, dois problemas continuaram preocupando: a alta informalidade e os baixos salários.

Esses problemas estão interligados. Apesar de o emprego formal ter aumentado em 2022, a informalidade ainda atinge cerca de 40% da força de trabalho. É um grupo que tem baixa produtividade e baixa remuneração. Isso faz com que cerca de 2/3 dos brasileiros que trabalham ganham até dois salários mínimos (R$ 2.424), o que é muito pouco.

A geração de empregos decorre basicamente de investimentos, e a melhoria da renda depende da qualidade dos trabalhadores e dos postos de trabalho. Nada disso muda de um ano para outro. O Brasil viverá com informalidade e baixa renda por muito tempo.

Mas, temos alguns sinais positivos para 2023. Inúmeros investimentos já estão em andamento. É o caso das concessões de obras e serviços públicos realizadas em 2021-22 nas áreas de energia, rodovias, ferrovias, aeroportos, comunicação (5G) e outras. Todas elas geram muitos empregos.

Ao lado disso, a pujança do agronegócio e da mineração deve continuar criando empregos diretos (nas cadeias do agro e do minério) e, sobretudo, indiretos (no comércio, serviços e setor público). Igualmente, a descarbonização da economia e a busca de energias limpas abrirão oportunidades de trabalho de longa duração. Em alguns ramos, haverá falta de pessoal qualificado como é o caso de energia, tecnologia da informação e atividades de proteção do meio ambiente.

Tudo isso é fácil de escrever, mas difícil de fazer. As oportunidades para investir e ganhar dinheiro no Brasil são imensas. Os investidores sabem disso.

O novo governo é contra privatizações e a favor de um estado empreendedor. Como este não tem recursos para realizar grandes investimentos, será crucial implantar seriamente as parcerias público-privadas e fazer o PIB crescer.

Para atrair os investimentos privados, as decisões terão de ser rápidas e seguras. Esse é um grande desafio para os governos do PT que gostam de submeter assuntos complexos a discussões de leigos realizadas em demorados conselhos e conferências nacionais. O assembleísmo é um verdadeiro veneno para atrair investimentos.

Além disso, é crucial intensificar os programas de qualificação e requalificação profissionais. Nesse campo, é importante montar programas alinhados com a demanda presente e futura. Os burocratas de Brasília têm pouco conhecimento da qualificação requerida pelas atividades da nova economia.

Com as mudanças tecnológicas entrando em alta velocidade no sistema produtivo, os programas de qualificação e requalificação necessitam de uma aliança bem sedimentada entre empresas, escolas e governo. As empresas conhecem a demanda, as escolas conhecem a didática e o governo deve regulamentar e incentivar os referidos programas. Nenhuma das três partes é capaz de fazer tudo sozinha. É uma interface indispensável.

Quanto à prática do assembleísmo, uma coisa é coletar sugestões de pessoas qualificadas para formular boas politicas públicas. Outra coisa é usar o assembleísmo meramente para manter aquecida a militância político-partidária. Espero que o novo governo siga o primeiro caminho.

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