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Por: Márcio Lopes De Freitas , presidente do Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB)

O cooperativismo é o modelo de negócios do futuro. Essa frase pode até parecer clichê, mas sua mensagem é real. O mercado está cada vez mais atento e em busca de uma economia de propósito, que se estrutura na filosofia da união de pessoas, atende às necessidades do coletivo e promove a autonomia de seus associados. E as cooperativas são o melhor exemplo de que, unidos por um propósito, podemos transformar o mundo em que vivemos em um lugar mais justo, inclusivo e próspero.

Os números do setor provam cada vez mais essa realidade. Divulgado pelo Sistema OCB no dia 29 de julho, o Anuário Coop 2022 — Dados do Cooperativismo Brasileiro mostra que, novamente, o movimento registrou crescimento significativo mesmo com todos os desafios impostos pela crise sanitária causada pela covid-19. Já somos 18,8 milhões de cooperados distribuídos em 4.880 cooperativas, localizadas em todas as regiões do país, percentual 10% superior ao medido no período anterior.

Esses 18,8 milhões representam 8% da população brasileira, o que expressa a base sólida do movimento cooperativista e o quanto nosso modelo de negócios tem sido cada vez mais procurado pela população. A preocupação com a comunidade, o compartilhamento de interesses mútuos, a transparência nas ações de gestão e governança e a valorização dos aspectos sociais, entre outros princípios que guiam as nossas cooperativas, demonstram que somos cada vez mais essenciais na nova economia.

E não é só no número de cooperados que o movimento se destaca. Os indicadores financeiros também comprovam a solidez e o avanço do setor. Em 2021, nossos ingressos subiram para R$ 525 bilhões, 26% a mais do que em 2020. Em dois anos, esse crescimento foi de 70%. Além disso, a distribuição das sobras do exercício somou R$ 36,7 bilhões, 60% a mais do que em 2020 e 148% no acumulado de dois anos.

A geração de empregos diretos é outro destaque do movimento. Em 2021, o número de postos de trabalho nas cooperativas brasileiras chegou a 493,3 mil, com evolução de 8,4% em relação ao período anterior. No acumulado de dois anos, nossas cooperativas incorporaram 15,4% a mais de trabalhadores, um resultado que não podemos deixar de exaltar, principalmente se considerarmos a crise econômica que o país vem enfrentando. Além disso, registramos aumento na participação feminina. As mulheres já são 49% dos cooperados e ocupam 20% dos cargos de liderança.

A solidez e a capacidade de adaptação às mais diversas situações das cooperativas é, com certeza, uma das razões que explicam os dados positivos do Anuário e nos dão a certeza de que o movimento continuará crescendo, sendo cada vez mais percebido pela sociedade e incorporado como o modelo de negócios do futuro. É nos momentos de crise que o cooperativismo consegue mostrar ainda mais a sua força e comprovar que seus ideais são plenamente compatíveis com as exigências que o mercado impõe constantemente.

Para ilustrar essa capacidade de adaptação, temos outro dado significativo. No Brasil, 70% das empresas fecham suas portas antes mesmo de completarem 10 anos de atuação. No cooperativismo isso também é diferente. Mais de 2,5 mil cooperativas estão no mercado há mais de 20 anos e 597 delas possuem mais de 40 anos de existência.

Para quem já faz parte desse movimento, nada disso é novidade. Mas é sempre importante reforçar que o cooperativismo vai muito além de um simples modelo econômico. Ele representa um jeito diferente de pensar, de viver e de fazer negócio, que direciona nossas ações tanto na vida pessoal quanto profissional. É um movimento baseado em princípios, com perenidade. Seu valor não se limita ao reconhecimento como organização com diferenciais e vantagens competitivas. Ele está nas pessoas, na proximidade, no relacionamento e na busca da prosperidade para todos os envolvidos diretamente em suas atividades, assim como para as comunidades ao seu redor. É olhando juntos para a mesma direção que conseguimos as maiores conquistas. E é com esse objetivo que o cooperativismo vai continuar desenvolvendo suas ações em prol de um país cada vez melhor.

* Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial da Unale. Originalmente postado no Correio Braziliense.

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