Criada em março de 2015, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Federal destinada a apurar as razões e consequências da violência contra jovens negros e pobres no Brasil realizou uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) no início desta semana.

A CPI já passou pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Alagoas. Depois do Pará, a CPI ainda fará audiências em Rondônia, Paraíba, Rio Grande do Sul e Pernambuco com o objetivo de debater o genocídio contra a juventude negra e pobre. De acordo com o presidente da CPI, o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), o debate propõe também a criação de metas para diminuir a violência no país, além de implementar um novo sistema de segurança pública compartilhado. “Não queremos que ninguém morra, mas as estatísticas apontam o crescimento de 40% do número de negros e pobres mortos no país. A política para todos não deu resultado para os negros”, disse.

Dados da própria CPI apontam que 30 mil jovens morrem assassinados todos os anos. Desses, 77% são negros e apenas 8% dos casos são investigados.

Contrário ao pensamento do presidente da CPI, o deputado federal Eder Mauro (PSD – PA) afirma que não há distinção de raça nos casos de violência. Segundo o parlamentar, a desagregação familiar e a falta de políticas públicas para todos os jovens são os fatores que levam o jovem ao crime e às drogas.

Representantes dos movimentos sociais que acompanhavam a sessão se retiraram do plenário em protesto durante o pronunciamento do deputado federal Eder Mauro.

Sessenta e seis entidades da sociedade civil assinaram uma carta de manifesto, formalmente entregue à CPI, solicitando a substituição do deputado Eder Mauro na CPI. O pedido é justificado porque o deputado paraense nega a questão racial nos casos de violência contra jovens.

De acordo com a presidente do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), Zélia Amador de Deus, o jovem negro é a maior vítima da violência, mas é ele também o responsável por clamar pela vida. “A juventude negra está organizada e chamando a sociedade para que não tolere a violência contra jovens negros e pobres e o Estado precisa assumir a questão. A vida tem que será garantida”, disse.

Fonte: Agência ALEPA

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