A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo foi palco de uma discussão sobre a importância da elaboração de um projeto de lei voltado para o aleitamento materno nas creches do Estado de São Paulo. A atividade parlamentar foi solicitada pela coordenadora da Frente Parlamentar da Primeira Infância, a deputada Marina Helou (Rede), e reuniu mães e especialistas do segmento.

Visão Parlamentar

Segundo a parlamentar Marina Helou, a política melhora quanto todos participam dela, como ocorre quando os cidadãos contribuem na elaboração de um projeto de lei e na ocupação de espaços públicos e simbólicos como o Parlamento Paulista.

“O aleitamento materno é um direito das crianças, das mulheres e das mães, mas a gente ainda precisa avançar muito enquanto sociedade neste tema. Mais do que debater sobre este tema, é necessário que encaminhemos ofícios, contribuições e projetos de lei para transformar a realidade para que mais mulheres e crianças possam ter acesso, por completo, aos seus direitos”, declarou Helou.

Visão Médica

De acordo com o pediatra e membro da Sociedade Paulista de Pediatria Dr. Moisés Chencinski, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o aleitamento materno deva ser feito desde o parto até dois anos ou mais de idade. “Aumentar a amamentação ao indicado pela OMS diminuiria cerca de 20 mil mortes maternas por ano, 823 mil mortes infantis, e ainda traria uma economia de 300 bilhões de dólares ao ano”, acrescentou o pediatra.

O especialista ainda falou sobre a Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), que é uma campanha anual que incentiva e promove a amamentação e conta com diversos atores sociais, como governos, legisladores, sistemas de saúde, comunidades, sindicatos e empregadores. A tarefa é providenciar ou subsidiar creches perto do local de trabalho e flexíveis com o horário de trabalho das mães que amamentam.

Proteção contra infecções respiratórias, diarreias e alegrias e redução da mortalidade infantil e da chance de obesidade e diabetes futuras são alguns dos benefícios da amamentação para a criança. Já para a mulher, está a redução de chances de desenvolver câncer de mama e de ovário, além da ocorrência de hemorragia pós-parto e do fortalecimento do vínculo entre a mãe e o bebê. Para a sociedade, existe a diminuição dos gastos no Sistema Único de Saúde e a contribuição para a melhoria da nutrição, saúde e educação.

“Dá um calor no coração quando vemos iniciativas que trazem a possibilidade de o aleitamento materno ser oferecido em creches, principalmente para as mulheres que trabalham em serviço informal, que muitas vezes consideram a escola o único lugar seguro e acolhedor para deixarem seu filho enquanto saem para trabalhar”, frisou Chencinski.

Visão Pedagógica

Já a coordenadora pedagógica da unidade CEI Menino Jesus, Thaís Gomes Bueno, conta que a presença da família é importante para o processo de crescimento e desenvolvimento da criança que vai para a unidade educacional.

“Nosso trabalho é orientar as mães sobre os procedimentos a serem adotados para continuar o aleitamento materno enquanto seus filhos estão na creche. A equipe [pedagógica] também recebe orientações e treinamentos sobre como receber e armazenar o leite materno. Além disso, na creche, oferecemos ambientes acolhedores para que as mães se sintam confortáveis para amamentarem seus filhos”, complementou Bueno.

Visão Materna

Por fim, a mãe Natali dos Santos contou que seu filho saiu de uma escola que não apoiava o aleitamento materno e foi para outra que incentivava o direito alimentar.

“A elaboração desse projeto de lei pode amplificar o acesso ao que não pode ser considerado um privilégio, e sim um direito alimentar [o aleitamento materno]. Amamentar não é um capricho, é um direito nutricional dos nossos filhos. Espero que essa ideia se replique não só pelo Estado de São Paulo, mas por todo país”, enfatizou.

Presenças

O evento contou com a presença da deputada Marina Helou (Rede); do membro da Sociedade Paulista de Pediatria e autor da campanha “Eu apoio o leite materno”, Dr. Moisés Chencinski; coordenadora de alimentação escolar da Secretaria Municipal de São Paulo, Srª. Maria de Fátima de Brum; diretora do programa Centro de Educação Infantil (CEI) e parceiro Belém da Prefeitura de São Paulo, Srª. Silvana Ouricis ; a mãe Natali Guimarães dos Santos; enfermeira, Renata Majo; e da coordenadora pedagógica da CEI Menino Jesus, Thaís Gomes Bueno.

Fonte: ALESP

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