fg247524Datas comemorativas, como o Dia Internacional da Mulher, nos levam a refletir sobre o significado dessas datas. No dia 8 de março muito se fala sobre a delicadeza das mulheres. Flores são entregues em postos de gasolina, restaurantes e supermercados para homenageá-las. Outros abordam a necessidade de equiparação salarial entre homens e mulheres, ou a pouca quantidade de mulheres em postos de comando. Outro aspecto discutido, quando o assunto é mulher, é o número de mulheres vítimas de violência doméstica e de feminicídio.

Escolhemos, no entanto, destacar a atuação feminina da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Cem anos se passaram entre a inauguração da Alesp e a chegada da primeira mulher deputada. Apenas em 1935 as mulheres assumiram uma vaga no Legislativo. E a chegada feminina foi em dose dupla: duas Marias Therezas foram eleitas deputadas. Maria Thereza de Barros Camargo e Maria Thereza Nogueira de Azevedo foram eleitas pelo Partido Constitucionalista e ambas haviam participado da Revolução Constitucionalista de 1932.

Maria Thereza Nogueira de Azevedo foi voluntária em atividades de assistência e provimento da revolta. Renunciou ao mandato legislativo em 1936 para se dedicar exclusivamente à fundação do Hospital Piratininga para crianças pobres. Maria Thereza de Barros Camargo trabalhou no fornecimento de roupas aos soldados, imprimia boletins da revolução em sua gráfica, além de produzir corpos de granada de mão. Foi prefeita de Limeira, a primeira mulher a assumir uma prefeitura no Estado de São Paulo.

Além das duas Marias Therezas, em junho de 1935 uma terceira mulher assumiu o posto de deputada, como suplente. Francisca Pereira Rodrigues, também do Partido Constitucionalista, havia sido uma das organizadoras da Federação dos Voluntários da Revolução de 1932 e fazia discursos em rádio e praça pública em apoio ao movimento paulista. Fundou a Bandeira Paulista de Alfabetização, organização que criou mais de 2.800 escolas primárias no interior de São Paulo.

Devido ao Estado Novo, a Assembleia Legislativa foi fechada em 1937. Reaberta dez anos depois, em 1947, quando Francisca Rodrigues ficou na suplência novamente, sendo a primeira mulher a conseguir ser reeleita.

Em 1947, além de Chiquinha Rodrigues, como era conhecida, mais duas mulheres assumiram o cargo de deputadas estaduais: Conceição da Costa Neves e Zuleika Alambert.

Conceição da Costa Neves foi reeleita por cinco vezes. Foi deputada desde 1947 até 1969, quando teve seu mandato cassado em virtude do Ato Institucional no 5. Sua grande área de atuação foram os doentes de lepra. Vice-presidente da Assembleia Legislativa entre 1960 e 1963, foi a primeira mulher a presidir um parlamento estadual no Brasil em decorrência de uma viagem do presidente Abreu Sodré ao exterior.

Por sua vez, Zuleika Alambert assumiu como suplente, mas teve um curto mandato, visto que seu partido, o Partido Comunista Brasileiro, foi cassado em 1948.

Em 1970, foi eleita a primeira deputada negra, Theodosina Rosário Ribeiro, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Foi reeleita deputada por duas vezes, em 1974 e em 1978. Theodosina era professora e advogada e havia sido a primeira vereadora negra da cidade de São Paulo, em 1968. Sua atuação como deputada teve como destaque a área educacional e a questão racial. Em 2015 a Alesp criou a Medalha Theodosina Ribeiro, com o intuito de incentivar o empoderamento de mulheres negras. Na última edição, 16 mulheres envolvidas com ações sociais foram contempladas.

Na legislatura atual, foram eleitas 19 deputadas e neste ano mais uma tomou posse como suplente em virtude da licença maternidade da deputada Marina Helou (REDE). É o maior número desde a eleição das primeiras parlamentares, em 1935.

FONTE: ALESP
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