O Dia Estadual de Conscientização sobre a Doença de Parkinson, oficializado pela Lei 17.644/2023, foi celebrado em um evento realizado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.  O distúrbio neurológico, que afeta os movimentos físicos da pessoa, atinge mais de 200 mil brasileiros. A data, no estado, é lembrada em 11 de abril, coincidindo com o período dedicado à síndrome no mundo.

Durante o ato, Maria Lúcia Amary (PSDB), deputada autora da Lei mencionada, ressaltou a importância da interação com especialistas para que seja possível ampliar a discussão sobre o tema e, assim, possibilitar a apresentação de propostas de políticas públicas que promovam ações afirmativas para melhorar a vida da população atingida e suas famílias.

“Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que, aproximadamente, 1% da população mundial com idade superior a 65 anos tem a doença. No Brasil estima-se que 200 mil pessoas sofram com esse problema. Desde fevereiro do ano passado, através da Lei de minha autoria, o dia de conscientização da doença de Parkinson é lembrado em todo o estado de São Paulo”, destacou a parlamentar.

Gargalos

Os neurologistas Henrique Ballalai e Carolina Candeias, presentes no evento, apontaram avanços clínicos e farmacológicos no sistema de saúde que retardam sintomas e melhoram a qualidade de vida das pessoas com Parkinson. No entanto, a dupla de especialistas citou gargalos que ainda dificultam o tratamento da doença sem cura. Carolina mencionou a dificuldade de acesso à cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda (DBS) na rede pública de saúde.

Já Ballalai destacou que “o tratamento de reabilitação, tão importante quanto o medicamentoso, não é tão acessível ao paciente do serviço público”. O neurologista afirmou ainda que as terapias em paralelo, como fisioterapia, fonoterapia e terapia ocupacional, são decisivas para a qualidade de vida dos pacientes.

Lentidão

A presidente da Associação Brasileira de Parkinson, Erica Tardelli, salientou que a demora no diagnóstico também prejudica no tratamento. “Parkinson não é só tremor. Na verdade, 20% dos pacientes não tremem. O principal sintoma é a lentidão de movimento”, explicou a presidente da Associação, que oferece tratamento multidisciplinar para 300 pacientes, com atendimento presencial.

O professor titular de neurologia da Universidade de São Paulo, André Balbi, criticou o desabastecimento de remédios de alto custo nas unidades de saúde. “O Parkinson de cada um de nós não vai parar de evoluir por entender e respeitar essa falta de medicamentos.”

Mesmo posicionamento foi o da advogada Eliane Carreira, diagnosticada com a doença neurodegenerativa: “A medicação nos ajuda porque enfraquece o avanço da doença. Se pararmos de tomá-la um só dia, ficaremos absolutamente vulneráveis”, afirmou.

Fonte: ALESP

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