Como será a vida da população quando esse período de pandemia do novo coronavírus passar? O “novo normal” ainda é um desafio para muitos. Especialistas alertam para uma série de problemas ligados a saúde mental em pessoas de todas as idades, a chamada quarta onda da covid-19.

Segundo a psicóloga do programa Abrindo Caminhos, Adria Almeida, os mais afetados foram as crianças e elas, bem como os adultos, estão propícias a desenvolverem doenças mentais como ansiedade, depressão e distúrbios. A explicação está na imaturidade cognitiva para lidar com situações como o isolamento social e a quebra da rotina. “Foi cortado dela a praça, o shopping, a escola e o convívio com os coleguinhas, tudo isso por causa de algo que ninguém enxerga”.

Além do isolamento e distanciamento social, outros fatores familiares podem contribuir na formação dessa onda de problemas mentais. Pesquisas publicadas pela imprensa, por exemplo, apontam crescimento no número de divórcios e violência contra mulher. “E as crianças passaram a conviver com essas brigas, com pais estressados, com pais trabalhando em home office em que a criança não podia chegar perto”, complementa a psicóloga.

O que pode reverter este quadro é o diálogo. Adria explica sobre a importância de conversar, perguntar como foi o dia, brincar e reparar na possível mudança de comportamento da criança ou adolescente neste período. “Existem várias brincadeiras que os pais podem planejar, desde jogo de tabuleiro, se exercitar, tudo isso os pais podem fazer com essa criança, e tudo isso com atenção para perceber o que está acontecendo”.

Ondas

A divisão da pandemia em “ondas” foi inicialmente identificada pelo pneumologista Victor Tseng, do Emory University Hospital, em Atlanta (EUA). De acordo com ele, a primeira onda é a pandemia em si – com a morbidade e a mortalidade imediatas causadas pela covid-19.

Já a segunda onda envolve a superlotação e o colapso dos serviços de saúde. Enquanto isso, a terceira onda diz respeito ao agravamento de quadros de pacientes com doenças crônicas – ou seja, aqueles que não são pacientes de covid-19, mas sofreram o impacto da superlotação ou que, por conta do isolamento, interrompem o tratamento. A quarta onda seria, portanto, uma epidemia de doença mental.

População precisa mudar comportamento para enfrentar a quarta onda  

O novo coronavírus afetou a população, seja pela infecção ou pelas consequências repentinas na mudança de comportamento. A todo instante, pelas redes sociais, rádio, TV ou rodas de conversas, a pandemia é um dos assuntos mais presentes.

Conforme a psicóloga do CHAME (Centro Humanitário de Apoio à Mulher), Jane Meire, a população precisa agir para não adoecer mentalmente. “Doenças como a depressão, ansiedade, síndrome do pânico, já existiam só que agora se agravaram muito, principalmente pela questão de não sabermos com que estamos lidando e a mudança de rotina, porque houve mudança, principalmente no ciclo familiar”.

Jane dá algumas dicas para o começo da mudança comportamental para essa fase do “novo normal”:

– Filtrar o consumo de notícias: não significa que você deva desligar-se, mas acompanhar o que recebe e perceber como o organismo reage ao ler/assistir/ouvir;

– Cuidado com fake news: checar se aquilo é verdade para não afetar a saúde do cérebro;

– Precipitação: procurar não sofrer com antecedência aos fatos;

– Cuidados pessoais: ficar atento ao corpo, mente e espírito. Beber bastante água e tomar banhos de sol;

– Buscar por atividades relaxantes: a dica de Jane Meire é a meditação guiada, disponível na internet.

Além dessas dicas, as duas psicólogas orientam a busca por acompanhamento profissional, na rede pública ou particular. “E não negligenciar a saúde mental”, orienta Jane Meire. “A quarta onde é uma realidade, já existia a depressão, a ansiedade, transtornos mentais e agora, com certeza, vai triplicar esse número”, alerta Adria Almeida.

CVV 

Uma das ferramentas gratuitas de apoio emocional é o CVV (Centro de Valorização da Vida) que há mais de 50 anos atende pessoas de todo Brasil pelo telefone 188, chat no site www.cvv.org.br ou por e-mail.

FONTE: ALERR