Foto/Divulgação

A deputada estadual Lucy Soares (Progressistas) anunciou recentemente que o Piauí ganhará uma escola na modalidade bilíngue destinada a atender o público surdo. O anúncio aconteceu após a participação da parlamentar em uma audiência com o ministro da Educação Milton Ribeiro e o presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) Marcelo Ponte, realizada no final de agosto, em Brasília.

De acordo com a parlamentar, por ter se tratado de uma conversa preliminar, ainda serão repassadas informações acerca dos recursos destinados para a implantação da instituição e sobre o prazo para o início das atividades. “Foi a primeira conversa que tivemos sobre o tema. Ficou decidido que o Piauí ganhará uma escola bilíngue e, em breve, seremos informados sobre prazos e recursos envolvidos”, explica.

Escola bilíngue é uma instituição de ensino básico voltada para alunos surdos. Nesse tipo de escola, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é tratada como primeira língua e o português escrito é trabalhado como a segunda.

A professora de Libras Marcela Queiroz, que é surda, acredita que a implantação de uma escola bilíngue será benéfica para os estudantes. “Essas crianças precisam de uma escola dessa modalidade para que haja um melhor aprendizado e desenvolvimento. Além disso, elas poderão interagir com outras crianças surdas”, expõe.

A deputada avalia que a conquista atende um anseio antigo da comunidade surda. “Durante essa audiência, tratamos da causa dos surdos e da necessidade de uma escola bilíngue. Essa é uma demanda importante para a comunidade dos surdos. Senti-me empoderada por ter ido pela primeira vez ao Ministério e retornar com essa boa notícia para o Piauí”, comemora.

DESAFIOS  – A professora de Libras e tradutora Kelly Lemos relata que a comunidade surda constantemente se mobiliza para conquistar melhorias para a educação dessa parcela de população, como no caso da aprovação da Lei Nº 14.191/2021, que inseriu a Educação Bilíngue de Surdos na Lei Brasileira de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) como uma modalidade de ensino independente. Antes da sanção da referida norma, a modalidade era considerada parte da educação especial.

“Os líderes surdos de todo o país entregaram propostas de emendas da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis) para serem incorporadas ao texto-base do Plano Nacional da Educação (PNE) e mobilizaram os parlamentares apoiando as emendas. Desde então, nós líderes surdos de vários estados nos mobilizamos e nunca paramos até que a Lei 14.191 foi sancionada”, explica.

Para Kelly, muitas vezes, a família e a escola regular não estão preparados para acompanhar a criança surda no que diz respeito à educação formal. “As crianças surdas precisam de uma escola bilíngue. A maioria dos pais são ouvintes e não sabem Libras. Esses pais colocam a criança para estudar em uma escola regular, que não está preparada para atender os alunos surdos”, analisa a professora, que é surda.

Kelly explica que muitos pesquisadores defendem que os surdos estudem em escolas bilíngues e tenham a Libras como a sua língua materna e a utilizem como a primeira língua de convívio e instrução. “Isso torna possível o desenvolvimento da competência em Língua Portuguesa escrita como a segunda língua para a leitura, convivência social e aprendizado”, finaliza.

FONTE: ALEPI

Compartilhe!