O rádio está presente no dia a dia dos brasileiros desde 1922, quando foi realizada sua primeira transmissão no Brasil, durante a abertura das comemorações do centenário da Independência, em 7 de setembro. Desde então, começou a cumprir o desafio de unificar todos os cantos de um país com dimensões continentais. Esse veículo democrático possibilitou que pessoas de diferentes locais e níveis linguísticos ouvissem as mesmas notícias, além de acompanharem as mesmas radionovelas e ouvirem os mesmos jogos de futebol.
Embora não tenha sido o primeiro veículo de massa a chegar ao Brasil, o rádio foi responsável por grandes avanços na comunicação nacional. Foi e é fundamental para questões políticas, sendo utilizado, nos primórdios, como a principal ferramenta de comunicação de massa de governantes. Atuou também como fator-chave para a consolidação da música popular brasileira (MPB), ajudando na nacionalização de artistas e, consequentemente, na criação de ídolos.
Tamanha é a importância para o País, que o Brasil criou o Dia Nacional do Rádio, instituído pela Lei Federal n.° 15.101, de 13 de janeiro de 2025. Celebrada anualmente no dia 25 de setembro, a data faz alusão ao nascimento de Edgar Roquette Pinto, em 1884, pioneiro da radiodifusão brasileira.
RADIODIFUSÃO NO CEARÁ
Em nível estadual, a Lei n.° 17.716, de 15 de outubro de 2021, instituiu a Semana Estadual do Rádio no Ceará, comemorada anualmente na semana do dia 25 de setembro, com o intuito de esclarecer sobre a relevância do veículo e da radiodifusão, além de prestar homenagem aos profissionais da área.
O rádio chegou ao Ceará ainda na década de 1920, com a captação das primeiras ondas, mas a consolidação ocorreu em 1934, ano em que nasceu a Ceará Rádio Clube (PRE-9), fundada por João Dummar. O rádio serviu como um importante meio de integração cultural, social e informativo do Estado, já que conseguiu romper os isolamentos geográficos. Ajudou a moldar a identidade local por meio do exercício do papel de entreter e noticiar, popularizando, inclusive, o futebol, com narrações e jogos marcantes de times como Fortaleza e Ceará.
Para o poeta, músico, radialista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) Henrique Beltrão de Castro, o rádio é um “porto da palavra”. “Nas ondas hertzianas, navegam a educação, a informação e a arte. Músicas e poemas ganham asas ao partirem das antenas transmissoras e pousam no radinho de pilha, no radinho do carro, como desde sempre”, reflete.
Mesmo centenário, o rádio segue sendo atual e fundamental para a sociedade brasileira, justamente por sua capacidade adaptativa e interativa de levar informação. “Hoje, tem perfeita sintonia com os avanços tecnológicos do século XXI, podendo ouvi-lo também no smartphone, no tablet e no computador”, acrescenta Henrique.
O LEGISLATIVO NAS ONDAS DO RÁDIO
O rádio, com sua tamanha importância na disseminação de variados assuntos, alcançou casas legislativas no Brasil, como a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece).
Com o dever constitucional de ser transparente, o Parlamento cearense viu nesse veículo a possibilidade de ter um canal rápido e direto com a população. Assim, criou a Alece FM, a partir da Lei n.° 13.451. Suas atividades foram iniciadas, em caráter experimental, no dia 6 de novembro de 2007, ainda com o nome FM Assembleia.
Lúcio Filho, gerente-geral da emissora institucional, explica que, “além de transmitir as atividades legislativas, como as sessões plenárias, as audiências públicas e sessões especiais, o veículo permite ao ouvinte acompanhar toda a legislatura e a atuação dos parlamentares que foram eleitos, fiscalizando, cobrando, reivindicando os seus direitos”.
O diretor destaca também o pioneirismo da Alece FM, sendo a primeira emissora de um Poder Legislativo no Brasil. “A Alece FM deu o pontapé inicial e serviu de referência para que as outras assembleias do País pudessem seguir o mesmo exemplo”, pontua.
Além das atividades parlamentares, o veículo público e educativo possui uma programação jornalística diversa, que valoriza a cultura, a música e a história cearense.
Henrique Beltrão exalta as emissoras legislativas, em especial a Alece FM, destacando o cumprimento do propósito de promover transparência para o povo sobre os acontecimentos diários. Pontua também o alcance cultural e artístico “com excelência em programas como Qual é o Tom do Ceará, que divulga a música cearense, e Autores e Ideias, dedicado aos livros, à leitura e a entrevistas aprofundadas com escritoras e escritores”, frisa.
A presidente da Associação Cearense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acert), Carmem Lúcia Rocha Dummar, também reconhece o papel exercido por emissoras como a Alece FM no que diz respeito à divulgação das ações da Casa.
“Pelo rádio, essas informações chegam a toda a população de um jeito muito mais próximo e fácil de entender, permitindo que os ouvintes conheçam o trabalho dos seus representantes, interajam e influenciem nas discussões. Essa interação é o próprio exercício da cidadania, em que você faz escolhas baseadas em informação de qualidade”, finaliza.
UMA VIDA NO RÁDIO
Decano da Alece FM, o repórter Cláudio Teran vivenciou toda a trajetória do veículo ao longo dos quase 19 anos de existência. “Sou servidor da Alece FM desde o seu começo. No dia em que ‘ela falou pela primeira vez’, eu estava lá, participando da transmissão ao vivo, histórica, que marcou o início dos trabalhos. Tenho acompanhado todas as evoluções e todas as transformações pelas quais a emissora vem passando”, pontua.
Sua chegada ao time da Alece FM aconteceu meses antes da transmissão inicial, que aconteceria em novembro de 2007. Desde então, o profissional atua como repórter, sendo atualmente apresentador do programa Terceiro Expediente, comentarista e cronista de cotidiano no programa Alô Alece e repórter de plenário.
A história de Teran com o rádio foi iniciada antes mesmo de se tornar radialista. Começou ainda pequeno, sob influência dos pais, que escutavam as transmissões ao longo do dia, durante seus afazeres. Com facilidade para se comunicar e grande admiração pelas transmissões dos jogos na rádio, até chegou a narrar as partidas de futebol de botão, dando início à sua duradoura carreira de 40 anos.
“Esse veículo é diferenciado em relação a outros veículos de imprensa, porque ele é, de todos os meios de comunicação, o mais próximo da população”, afirma o radialista.
Teran ressalta ainda o forte poder de interatividade e de promoção da cidadania do rádio: “Ele nasceu interativo, porque é um veículo em que as pessoas podem ligar para a emissora e falar ao vivo no seu programa preferido. Portanto, não há veículo melhor na promoção da cidadania, na defesa da própria cidadania e democracia que o rádio”.
Fonte: ALECE



