aleba-28-08A Revolta dos Alfaiates, também conhecida como Conjuração Baiana e Revolta dos Búzios, foi, em 1798, o embrião da imprensa no Brasil. A tese é do professor, jornalista e escritor Florisvaldo Mattos, autor do livro “A comunicação social na Revolta dos Alfaiates”, título que teve sua segunda edição lançada na última sexta-feira (24) pela ALBA Cultural.

O lançamento ocorreu no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, no Centro de Salvador. Representando a Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (ALBA), o procurador-geral da Casa, Graciliano Bonfim, destacou a importância do livro que rememora a história da revolução ocorrida em solo baiano no século XVIII. “Trata-se de uma obra importante, que resgata um movimento ocorrido em 1798, conhecido por todos como Revolta dos Alfaiates ou Revolta dos Búzios, escrita pelo nosso querido Florisvaldo Mattos, jornalista, poeta, escritor. É mais um passo da Assembleia Legislativa na área cultural. Um instrumento de fomento ao incentivo da cultura”, considerou Bonfim.

Com 206 páginas, a obra se divide nos capítulos Apresentação; Décimas sobre a liberdade e igualdade; A comunicação no Brasil colonial; A comunicação na Bahia do século XVIII; 1798: A teia da comunicação; Comunicadores na revolução; As mensagens dos Revolucionários; Perceptores das mensagens revolucionárias; Conclusões; Glossário; Bibliografia; Apêndice – De volta aos patíbulos severos; e Florisvaldo Mattos.
O movimento defendia, em 1798, bandeiras como a abolição da escravatura, independência, além de igualdade, liberdade e fraternidade, princípios da Revolução Francesa. Dos cinco revolucionários condenados, quatro foram enforcados: Lucas Dantas Amorim Torres, Manoel Faustino dos Santos Lira, João de Deus do Nascimento, Luís Gonzaga das Virgens e Veiga. Luís Pires, o quinto condenado, conseguiu fugir antes mesmo de ser preso pelas forças do Estado.

Florisvaldo Mattos, em seu livro, se ateve ao processo de comunicação entre os líderes do movimento na tentativa de buscar adeptos pela cidade. “Eu ainda muito jovem, li um livro do professor Luís Henrique Dias Tavares, que é um historiador desse movimento, então, quando li, me entusiasmei com o tema. Me entusiasmei mais ainda do que com a Inconfidência Mineira. Então, pensei primeiro em escrever um poema épico, depois em uma peça de teatro, uma tragédia, porque são quatro os condenados, enforcados e esquartejados. Mas não tive fôlego para isso. Anos depois, eu fazendo um curso de mestrado em ciências humanas, abracei o tema para fazer minha dissertação e tive a sorte de ter o saudoso professor José Calazans como meu orientador. Como foi aprovado, a Ufba foi aconselhada a publicar uma edição em 1974. Já em 1998, quando completaram 200 da revolta, a Assembleia Legislativa decidiu editar este livro. Agora, está reeditando nos 220 anos”, lembra o escritor Florisvaldo Mattos.

O autor da obra também contou, durante o ato de lançamento do título, como decidiu abordar a história pela ótica da comunicação. “Todos os historiadores contam os fatos. Analisam o fato em si, as suas causas, suas finalidades e como se desenvolveu. No meu caso, conhecendo alguma coisa da história, me interessei, por ser jornalista e professor da Faculdade de Comunicação, por pegar uma coisa que não estava nos livros de história: como os revolucionários de 1798 formaram essa consciência ideológica. E o que se precisou para isso? Primeiro, um grande trabalho de comunicação entre eles, de conversa, de recados, ou pela escrita, como cartas, bilhetes, mas tudo isso de pessoas para pessoas. Quando se chegou a determinado momento, eles inovaram. Pegaram e distribuíram pelos pontos de maior afluência pública da cidade uma série de boletins manuscritos com suas propostas, com sua pregação revolucionária, defendendo independência, abolição da escravatura, república, liberdade e igualdade para todos, ou seja, os princípios da Revolução Francesa”, descreve o jornalista.

“Quando lançaram isso, eles ultrapassaram a comunicação entre as pessoas, quiseram buscar públicos mais vastos. Pois pregaram os boletins em locais de afluência pública como porta de igreja, porta de quarteis, cais do porto, açougues, feiras, cantos de peixe. Eu defendi a tese de que ali passou a configurar uma comunicação pública em caráter indeterminado e unilateral. Então, ali foi, para mim, o embrião da imprensa no Brasil”, considera.

Dentre os presentes ao ato de lançamento da obra “A comunicação na Revolta dos Alfaiates”, estava Zulu Araújo, diretor da Fundação Palmares. O dirigente também ressaltou a importância do livro para a sociedade atual. “É uma iniciativa importante da Assembleia Legislativa, importante para o Instituto Geográfico e Histórico, mas sobretudo importante para memória da Bahia. O professor Florisvaldo, de maneira brilhante, ressaltou um dos elementos que foi estratégico para a Revolta dos Búzios, como nós gostamos de chamar. Disponibilizar estas informações sob a análise, evidentemente, dos tempos de hoje, para a sociedade baiana é de fundamental importância”, destacou.

Fonte: ALEBA
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