Por Cristiano Noronha, cientista político

Fala-se que nossa democracia está em risco. Que corremos risco de ruptura. Não compartilho com essa avaliação, apesar de reconhecer alguns exageros. Críticas infundadas e informações distorcidas são veiculadas com frequência, em especial por meio das mídias sociais. Mas sempre podemos enxergar um copo meio cheio ou meio vazio. Em geral, gosto de me ater aos aspectos positivos de determinadas situações. E vejo alguns no processo eleitoral que estamos vivendo. O primeiro deles diz respeito ao perfil dos nossos candidatos. Sei que essa feição está longe do ideal, que ainda não reflete a nossa sociedade.

Mas, como disse, gostaria de ressaltar os números positivos. Todos os partidos que disputam o pleito este ano cumpriram o mínimo de 30% de candidaturas femininas, cota prevista por lei. Em 2014, tivemos apenas 47 candidatas ao posto de vice-governadora. Em 2018, foram 76. Agora, são 89.

Quando consideramos todos os cargos em disputa, em 2014 tínhamos 8.123 mulheres concorrendo. Em 2018, o número subiu para 9.204. Neste ano, são 9.415. O total de candidatos chega a 28.281.

Depois de uma campanha exitosa incentivada pela Justiça Eleitoral, o número de alistamento de jovens de 16 e 17 anos aumentou consideravelmente. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2018, os eleitores entre 16 e 17 anos somavam 1,4 milhão (0,95% do total). Hoje há 2.116.781 eleitoras e eleitores nessa faixa etária aptos a votar nas urnas eletrônicas, o que representa mais de 1,3% do total do eleitorado nacional. Ou seja, em quatro anos, o número de jovens de 16 e 17 anos prontos para votar cresceu mais de 51%.

Todos os partidos que disputam o pleito este ano cumpriram a cota de 30% de candidaturas femininas, como prevê a lei

Outro dado a ser ressaltado é que, pela primeira vez, o número de pedidos de registro de candidatos negros junto ao TSE superou o de candidatos brancos. Foram registradas 14.015 candidaturas negras (49,57%) e 13.814 brancas (48,86%). Em 2018, foram 13.543 negros e 15.241 brancos. Outro sinal muito claro da força da nossa democracia foi a atenção que a posse do ministro Alexandre de Moraes como presidente do TSE despertou. Ao ressaltar a transparência do processo eleitoral, foi amplamente aplaudido na cerimônia de posse.

Como disse, temos muita coisa para resolver e melhorar quanto à qualidade da nossa representatividade. Nosso Congresso Nacional, por exemplo, não tem maioria de mulheres, tal qual nosso eleitorado. As mulheres somam 53% do eleitorado e elegeram apenas 77 deputadas federais em 2018. Mas em relação a 2014, houve crescimento de 51%. Os mais ricos têm mais chances de serem eleitos – afinal, uma campanha é cara. Mas, quando olhamos para trás, é possível verificar o quanto já melhoramos.

Compartilhe!