Com foco na prevenção e no enfrentamento da violência contra a mulher, o Centro Humanitário de Apoio à Mulher (Chame), vinculado à Secretaria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), realizou na manhã desta quarta-feira (28) uma ação de conscientização no Centro de Referência de Saúde da Mulher, em Boa Vista.
Durante a atividade, foram distribuídos folders informativos sobre o trabalho desenvolvido pelo Chame, além de orientações sobre a Lei Federal nº 11.340/2006 – Lei Maria da Penha, os diferentes tipos de violência doméstica e os canais disponíveis para denúncia e acolhimento.
A psicóloga do Chame, Marcilene Melo, destacou que as ações fazem parte da retomada das programações do centro em 2026, com atividades realizadas ao longo de todo o ano.
“Muitas vezes, a mulher está dentro de casa e não percebe que sofre violência, porque associa a violência doméstica apenas à agressão física. Nós trazemos sobre os diferentes tipos de violência para mostrar que essas mulheres não estão sozinhas. Elas têm um lugar onde podem ser acolhidas, orientadas e encaminhadas para os órgãos competentes”, explicou.
Marcilene ressaltou ainda que o trabalho do Chame também alcança escolas, com ações voltadas a adolescentes.
“Levamos essas informações para jovens que estão iniciando relacionamentos, para que entendam que a violência não é normal. Onde formos chamados, estaremos presentes levando conhecimento e prevenção à população”, completou.
A importância da parceria entre o Chame e os serviços de saúde foi destacada pela enfermeira Jacia Sousa, que trabalha no Centro de Referência da Mulher.
“Nosso público-alvo aqui no Centro de Saúde é a mulher. Hoje, o tema violência ainda gera muito receio para ser falado e questionado, e muitas mulheres continuam sofrendo com isso. Por isso, a parceria com diversos órgãos, principalmente com o Chame, é fundamental para nos ajudar a esclarecer esse tema para essas pessoas”, afirmou.
Dados alarmantes
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil ocupa a quinta posição no ranking mundial de feminicídio, com uma taxa de 4,8 mortes para cada 100 mil mulheres, evidenciando a gravidade da violência doméstica e familiar no país.
A violência contra a mulher pode se manifestar de diversas formas. Ela abrange a violência física, caracterizada por qualquer ato que cause dano à integridade ou à saúde corporal da vítima, deixando marcas ou não; a violência psicológica, que provoca prejuízo emocional, sofrimento mental e tentativas de controle do comportamento da mulher; a violência patrimonial, evidenciada pela destruição de bens, retenção de documentos pessoais ou instrumentos de trabalho; a violência sexual, quando a mulher é forçada ou constrangida a manter relações sexuais indesejadas, impedida de usar métodos contraceptivos ou submetida à gravidez, aborto ou prostituição; e a violência moral, que ocorre por meio de calúnia, difamação ou injúria, atingindo a honra e a imagem da mulher, inclusive em ambientes virtuais.
Atendimento e serviços
O Chame oferece atendimento jurídico, psicológico e social, garantindo os direitos assegurados pela Lei Maria da Penha. Além do acolhimento, desenvolve ações preventivas, capacitação de servidores públicos e atendimento especializado a mulheres com deficiência e em situação de violência sexual.
Fonte: ALE-RR



