whatsapp-image-2019-04-01-at-18-33-06O programa possibilita o aprimoramento nas discussões e implementação de políticas públicas para o tratamento e reciclagem de resíduos sólidos

Ao longo da última semana, parlamentares da Unale e representantes do setor privado participaram do Programa para Certificação Internacional para o Tratamento de Resíduos Sólidos, no estado da Califórnia. O programa, certificado pela Zero Waste e coordenado pela Unale em parceria com o instituto Lixo Zero Brasil, teve o objetivo de aprofundar conhecimento e discutir propostas para políticas públicas na área de reciclagem e tratamento do lixo.

A delegação fez uma imersão na temática, discutindo ações e estratégias para a coleta, tratamento, reciclagem e compostagem dos resíduos, além de visitar centros de reciclagem, aterros, empresas e até um estádio – o Giant Stadium – que implementou o conceito Lixo Zero e hoje recicla e composta 94% do lixo produzido.

O estádio tem 245 dias de evento, e produz mais de 400 toneladas de lixo por ano. “Reciclar é possível e gera receita para que o estádio possa atender melhor aos torcedores. Além disso, o público alcançado nos estádios é uma porta de entrada para implementar essa cultura na sociedade”, comentou o deputado Alencar da Silveira (PDT-MG), ex-presidente do América Futebol Clube de Minas Gerais.

“Podemos desenvolver um trabalho de conscientização e educação ambiental nos estádios e eventos em nossos estados, as pessoas já saem dali envolvidas com essa cultura e conscientes do seu papel e da importância dessa atitude”, enfatizou o presidente da Unale, deputado Kennedy Nunes (PSD-SC).

O grupo visitou ainda a Recology Waste Zero uma das maiores e a primeira cooperativa de separação e reciclagem regulada pela cidade de San Francisco. A cooperativa utiliza máquinas que fazem a leitura ótica dos resíduos para a separação em 14 tipos diferentes de materiais.

Um aspecto que chamou a atenção dos parlamentares, no entanto, foi a geração de empregos que o tratamento de resíduos pode gerar. “Vimos aqui que a cooperativa de reciclagem gera dez vezes mais emprego que os aterros e usinas de incineração, e isso é fundamental, pois além de oferecer melhores condições para o cidadão, respeita-se o meio ambiente”, ressaltou a deputada Ana Cunha (PSDB-PA).

“Os catadores de lixo se tornaram empresários, sócios da cooperativa de reciclagem. Temos que implementar políticas que eduquem as pessoas para chegarmos no ponto em que chegaram aqui”, reforçou o tesoureiro geral da Unale, deputado Rigo Teles (PV-MA).

A delegação visitou ainda outras cooperativas e departamentos de aproveitamento, processamento, reciclagem e reutilização do lixo, como a Urban Ore Ecopark, que retira do lixo, recebe doações ou busca em restos de construção por exemplo, objetos em bom estado de conservação para venda, evitando que os mesmos sejam descartados nos aterros. “É impressionante ver quanta coisa se aproveita do lixo que é descartado e que pode perfeitamente atender à demanda de outras pessoas. Ações como esta possibilitam a redução na geração de resíduos e maior aproveitamento dos materiais”, comentou a deputada Celise Laviola (MDB-MG).

Ao longo da semana, o grupo também participou de reuniões na prefeitura de Oakland, no Departamento de Reciclagem e Recuperação de Recursos da Califórnia, a CalRecycle, que supervisiona os programas de gerenciamento, reciclagem e redução de resíduos e no Consulado Brasileiro, onde puderam aprofundar nas legislações relacionadas ao tema.

“Com tudo o que vimos por aqui, temos a confiança de que é possível implementar essas políticas nos nossos estados. O Brasil é o quarto maior gerador de lixo plástico no mundo. É preciso ter envolvimento e os governantes também precisam ter essa responsabilidade e engajamento. Volto para o Brasil na expectativa de implementarmos o conceito Lixo Zero nas Assembleias, Prefeituras, Câmaras, órgãos públicos e escolas”, argumentou a secretária geral da Unale, deputada Ivana Bastos (PSD-BA).

Para o presidente da Assembleia Legislativa do Goiás, deputado Lissauer Vieira (PSB-GO), o engajamento deve partir tanto da comunidade como do poder público. “Não temos dúvida de que precisamos do envolvimento da sociedade, mas também da iniciativa do poder público para que possamos implementar essa cultura nos nossos estados”.

San Francisco é a quarta maior cidade da Califórnia e uma das cidades mais verdes dos Estados Unidos. A cidade vem se preparando para alcançar a meta Lixo Zero desde 1996. Mais de 85% dos resíduos produzidos na cidade já deixaram de ser encaminhados para os aterros sanitários e são reintroduzidos nos processos produtivos. A cidade conquistou esse percentual a partir da criação de políticas que reduzem o desperdício, aumentando o acesso à reciclagem e compostagem. Para um comparativo, hoje, apenas 3% do lixo produzido no Brasil é reciclado, ou seja, 97% de todo o lixo é direcionado para os aterros.

O Instituto Lixo Zero Brasil

O Instituto Lixo Zero Brasil (ILZB) é uma organização da sociedade civil autônoma, sem fins lucrativos pioneira na disseminação do conceito Lixo Zero no Brasil.
Fundado em 2010, O ILZB representa no Brasil a ZWIA – Zero Waste International Alliance, movimento internacional de organizações que desenvolvem o conceito e princípios Lixo Zero no Mundo.

Lixo Zero consiste no máximo aproveitamento e correto encaminhamento dos resíduos recicláveis e orgânicos e a redução – ou mesmo o fim – do encaminhamento destes materiais para os aterros sanitários e\ou para a incineração.

Segundo o conceito estabelecido pela ZWIA – Zero Waste International Alliance –Lixo Zero é uma meta ética, econômica, eficiente e visionária para guiar as pessoas a mudar seus modos de vida e práticas, de forma a incentivar os ciclos naturais sustentáveis, onde todos os materiais são projetados para permitir sua recuperação e uso pós-consumo.

Uma gestão Lixo Zero é aquela que não permite que ocorra a geração do lixo, na qual o indivíduo e, consequentemente, todas as organizações das quais ele faz parte, passam a refletir e se tornam conscientes dos caminhos e finalidades de seus resíduos antes de descartá-los.

Juliana Freitas, Ascom/Unale
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