gilmaciPor: Gilmaci Santos (deputado estadual pelo Republicanos de São Paulo e 1º vice-presidente da Alesp)

A expressão “fake news” (notícias falsas) se popularizou muito nos últimos anos, mas, na verdade, passou a ser utilizada de modo generalizado apenas em 2016, no mês da eleição presidencial dos Estados Unidos, foi o que mostrou uma análise do Google Trends, ferramenta que mostra os termos mais buscados no Google. Só que, antes disso, o termo já havia sido utilizado, segundo o dicionário norte-americano Merriam-Webster, ele existe há mais de cem anos.

Mesmo que o termo “fake news” seja relativamente novo, o conceito por trás dele não é nada recente, pois as mentiras ou boatos sempre existiram. Faz parte da história do Brasil e do mundo informações não verídicas que foram propagadas de modo exaustivo até serem aceitas como verdades. A organização americana International Center for Journalists, que promove o jornalismo pelo mundo, criou o Guia da História das Fake News (A Short Guide to the History of “fake news”), contando histórias sobre notícias falsas que datam do século 4 a.C.

Recentemente, em entrevista ao programa de rádio Na Trilha da História, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o historiador Antonio Barbosa falou sobre as fake news que fizeram parte da história do Brasil. O historiador, que também é professor da Universidade de Brasília, contou que um boato que se espalhou pela Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro, em 1889, contribuiu para o fim do império brasileiro. Segundo uma fofoca que circulou na época, o imperador Dom Pedro II teria decidido prender o marechal Deodoro da Fonseca, figura admirada que seria o personagem principal da Proclamação da República, mas a história não era verídica.

Nos dias de hoje, onde as informações circulam rapidamente e de modo global, as notícias não verídicas propagam-se de modo veloz e alarmante. Não podemos esquecer que as fake news já deixaram vítimas fatais, como o caso do linchamento de uma mulher no Guarujá, resultado de um boato que se alastrou nas redes sociais e afirmava que ela sequestrava crianças para fazer rituais de feitiçaria; segundo a polícia, não havia nenhum caso de sequestro. A mulher, mãe de dois filhos, foi vítima de um linchamento que reuniu dezenas de pessoas da cidade, ela morreu dias depois.

A questão é tão preocupante que tem sido tema de palestras e debates mundo afora. Em São Paulo, em 2018, foi criada a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das fake news aqui na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, encerrada em 2019. Já no Congresso Nacional foi instalada, no ano passado, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das fake news. Ambas foram criadas para investigar a produção e disseminação de notícias falsas na internet.

Atualmente, esse tipo de notícia tem sido também um pesadelo para a saúde pública, mais recentemente, o sarampo, que já estava erradicado no Brasil, voltou a ser motivo de grande preocupação; falsas informações sobre o risco das vacinas fizeram com que os pais negligenciassem a vacinação de seus filhos. No ano passado foram confirmados 18,2 mil casos de sarampo no país e, neste ano, os números já assustam, segundo a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, foram registrados 1.352 casos de sarampo em 2020.

Com o objetivo de combater a indústria de notícias falsas, foram criados serviços que trabalham com a checagem de informações, é o caso do site www.saude.gov.br/fakenews, do Ministério da Saúde. Como se vê, as fake news não são um inofensivo compartilhamento, quem nunca ouviu alguém dizer “na dúvida, melhor compartilhar”, quando o correto seria dizermos “duvide e, após confirmar a veracidade da informação, compartilhe”.