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alesclaranjaSanta Catarina tem uma taxa de 120 a 130 casos de câncer de pele para cada 100 mil habitantes, a maior do país. Os números são considerados alarmantes pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que há três anos promove o Dezembro Laranja, mês de conscientização sobre a prevenção ao câncer de pele. No estado, as atividades começaram há dois anos, por iniciativa do deputado Antonio Aguiar (PMDB), autor da Lei 16.586, de 2015, que prevê a realização de ações preventivas com foco no diagnóstico precoce do câncer de pele.

Membro da SBD e coordenador estadual da Teledermatologia, o médico dermatologista Daniel Holthausen Nunes explica que a exposição ao sol é a principal causa da doença. Os outros fatores que aumentam a suscetibilidade dos catarinenses são a pele clara; a exposição ao sol nas atividades rurais; a exposição ao sol desde os primeiros anos de vida e a questão geológica – devido ao afinamento da camada de ozônio, a incidência de raios ultravioletas é muito forte nesta região do país.

A recomendação do especialista é que o paciente procure atendimento médico assim que perceber uma lesão na pele que esteja diferente. “Do ponto de vista de alerta, temos duas classificações, os melanomas e os não melanomas. Os melanomas são mais graves, são aquelas lesões com pintas escuras, com borda irregular”, explicou Nunes. Sempre que aparecer uma pinta escura na vida adulta é importante avaliar, conforme o médico. O câncer de pele não melanoma tem crescimento mais lento e é menos perceptível, normalmente demora mais a apresentar alteração, com a presença de ferida ou casquinha que não cicatriza.

Teledermatologia

Para agilizar o acesso dos pacientes ao tratamento, Santa Catarina implantou um serviço pioneiro no país, a teledermatologia. Os pacientes que não têm acesso a um dermatologista, no interior do estado, procuram atendimento médico nas unidades básicas de saúde (postos) e têm seu diagnóstico agilizado pelo serviço de teledermatologia. Foi assim que a dona de casa Inês Guidini, 45 anos, conseguiu atendimento. Ela reside em Balneário Gaivota e procurou um posto de saúde ao perceber que um sinal fazia casquinha e não melhorava. “Eu tentei tratar com pomadas. Quando começou a sangrar eu procurei a minha médica no posto de saúde. Ela encaminhou as fotos para cá e fui chamada para a consulta”. O procedimento de remoção foi realizado nesta quinta-feira (15), no Hospital Nereu Ramos, em Florianópolis.

Enquanto Inês era submetida ao procedimento, que durou em torno de 30 minutos, a fumicultora Marlene Longen Timmler, 44 anos, de Ituporanga, aguardava a vez para remover uma “ferida” no nariz. Como agricultora, ela se expôs ao sol desde a infância e só passou a usar filtro solar nos últimos anos, depois que o marido teve câncer de pele. Da mesma forma que outra paciente, procurou atendimento quando a lesão começou a sangrar. “Essa feridinha começou a sangrar e não sarava. O médico tirou fotos e mandou para Florianópolis”, relatou.

Conscientização

Na última semana de novembro, a Sociedade Brasileira de Dermatologia realizou uma campanha de prevenção que funciona como abertura das atividades do Dezembro Laranja. Em Santa Catarina, foram atendidas 2 mil pessoas em 12 municípios. “Cerca de 12% dos pacientes atendidos na campanha foram encaminhados para confirmação de diagnóstico de câncer de pele”, relatou o dermatologista Daniel Holthausen Nunes. O câncer de pele corresponde a 25% dos tumores malignos registrados no Brasil. Com diagnóstico precoce, o paciente tem uma chance de cura de 80% a 90%, conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Saiba mais sobre câncer de pele!

Qual a diferença clínica entre os tipos de tumor melanoma e não melanoma?

Os tumores da pele, que é o maior órgão do corpo humano, são diferenciados pela linhagem das células. O tipo melanoma é mais raro, acomete as células pigmentadas. Esse tipo entra nas estatísticas por ser mais agressivo e tem metástase (espalhamento) rápida. O não melanoma é originário da parte estrutural das células; atinge principalmente a região do rosto e pode causar desfiguramento. Os sinais têm normalmente a cor da pele, porém, são mais brilhantes, pode fazer casca e feridas que não cicatrizam.

Que tratamento se dá aos pacientes com câncer da pele?

O tratamento se dá em duas fases: a primeira é a detecção precoce, depois o procedimento cirúrgico. Este é composto de duas etapas, que são a retirada do tumor e a reconstituição do lugar afetado. A quimioterapia é aplicada somente em casos de melanomas em estágios avançados. Já a radioterapia é utilizada em quadros de metástase localizada.

Dicas de prevenção

•Evitar exposição prolongada, principalmente entre 10h e 16h;
•Usar e reaplicar sempre o protetor solar compatível com o tom de pele, mesmo aqueles à prova d’água;
•Procurar lugares à sombra, pois mesmo debaixo do guarda sol o reflexo da radiação chega a 35%;
•Tecidos fechados têm um fator de proteção solar entre 20 a 30, mas não dispensam o uso de protetor;
•Usar óculos escuros, chapéus, camisa de manga longa e calça comprida;
•O mormaço queima, pois as nuvens filtram muito mais o calor do que a radiação ultravioleta. Por isso é importante usar protetor mesmo em dias nublados.

Fonte: ALESC
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