alesazullAlém de alimentação desregrada, sedentarismo, uso de álcool e tabaco e idade avançada, a presença precoce de um caso de câncer de próstata na família é um dos fatores de risco que mais influenciam no surgimento da doença, que matou 301 capixabas em 2015 e 127 até julho deste ano. Quem se enquadra nesse perfil tem até 10 vezes mais chances de desenvolver esse tumor.

Segundo o oncologista Cristiano Drumond Magalhães, a doença é claramente relacionada a pacientes mais velhos e a maioria dos diagnósticos surgirá na terceira idade. Alertar sobre seus perigos é o objetivo da campanha “Novembro Azul”. “Cerca de três quartos dos casos vão ocorrer em pacientes acima de 65 anos de idade”, explica. No entanto, o especialista faz uma ressalva quanto à hereditariedade.

“Para aqueles que têm história familiar de pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos de idade, a chance de ter o câncer é de 3 a 10 vezes maior do que a comparada com a população em geral”, revela. De acordo com o médico, o componente hereditário também tem grande peso no desenvolvimento de outros tumores, como de mama e intestino, por exemplo.

Prevenção

“Procuramos orientar os pacientes de acordo com fatores de risco, dentre eles os fatores familiares, e os fatores preventivos, para evitar que o tumor venha a se desenvolver: exercício físico de forma rotineira, dieta pobre em gordura e carne vermelha e rica frutas verduras e legumes, cereais integrais, e redução da ingestão de álcool e uso do tabaco”, enumera.

Nos casos de homens que apresentam histórico familiar, analisa o oncologista, deve-se avaliar a realização do exame que mede a dosagem do antígeno prostático específico (PSA, sigla em inglês) no sangue e do toque retal a partir dos 45 anos de idade. Mesmo assim, atualmente há questionamentos quanto a essa prática.

Rastreamento questionado

Muito comum em outros tempos, o rastreamento da doença, feito por meio do PSA e do toque a partir de certa idade em indivíduos sem sinais e sintomas passou a ser questionado por entidades, entre elas a o Instituto Nacional de Câncer (Inca), além do próprio Ministério da Saúde (MS) e países como Estados Unidos e Inglaterra.

“A recomendação do Inca e Ministério da Saúde é que conversemos com os pacientes e coloquemos qual é o real benefício e o risco dessas táticas de rastreamento populacional”, diz. Segundo ele, estudos não conseguiram evidenciar que essa estratégia vai reduzir a mortalidade. “Os estudos não conseguiram comprovar isso”, completa.

A orientação hoje, explica o médico, é que o paciente que procura espontaneamente o exame de PSA seja orientado em relação aos riscos e benefícios. Embora possa ajudar na detecção da doença na fase precoce com consequente maior chance de cura, há malefícios, como o sobrediagnóstico.

“Muitas vezes os tumores são identificados, mas como têm na sua maioria um comportamento de crescimento lento, muitas vezes esses pacientes podem não sofrer nenhum sintoma ou nenhum malefício relacionado com a doença mesmo em atividade diagnosticada. Muitos pacientes podem morrer com a doença de outros problemas”, frisa.

Outro problema é o falso positivo. Em situações frequentes, o PSA elevado pode estar associado a outros problemas, como a prostatite ou o crescimento da próstata de forma benigna. “Esses pacientes são submetidos à biópsia, que não é isenta de mal provocado pelo procedimento”, detalha. “Os índices de complicações com a estratégia desse rastreamento de forma indiscriminada às vezes pode ser mais maléfica do que benéfica”, resume.

Aumento de casos

Conforme o médico, percebe-se aumento da incidência da doença, que, segundo o Inca, terá 1.180 casos novos no Espírito Santo neste ano e 61.200 no Brasil. O oncologista atribui isso à medicina de melhor qualidade, acesso mais fácil da população aos métodos de diagnóstico e aumento da longevidade. “Quanto maior o tempo de vida, maior a chance de desenvolver o tumor”, reforça.

De acordo com o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde (MS), 13.772 homens morreram em 2013 acometidos pela doença e 14.161 em 2014 – segundo dados mais atualizados.

Saiba mais

A próstata é um órgão exclusivo do sexo masculino e se situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto. Tem função de produzir parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides. O Inca aponta que o câncer de próstata é a segunda mais prevalente entre os homens, atrás apenas dos tumores de pele. Nos países desenvolvidos, a taxa de incidência é maior.

Os sintomas em fase inicial têm evolução silenciosa. Pacientes podem apresentar crescimento benigno da próstata, dificuldade de urinar e maior frequência de idas ao banheiro durante o dia ou à noite. Já em fase avançada, a doença pode causar dor óssea, obstrução da urina, sangramento, infecção generalizada e até mesmo insuficiência renal.

Fonte: ALES

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