banner-5-dezembro-vermelho-unale-489x385pxO laço vermelho, que simboliza a conscientização e o combate ao HIV/Aids está completando 30 anos. No Espírito Santo, são pelo menos 1.200 novos casos de incidência do vírus por ano e a maior parte abrange jovens com idade entre 15 e 30 anos. O tema foi debatido na Comissão de Saúde, na reunião desta terça-feira (4). Além de prevenção e tratamento, os convidados falaram sobre a importância de combater o maior vilão no assunto: o preconceito.

Os deputados Dr. Hércules (MDB) e Eliana Dadalto (PTC) receberam o coordenador da Rede Nacional de Pessoas vivendo com HIV e Aids, Dario Sérgio Rosa Coelho, e a coordenadora do Programa Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids, Sandra Fagundes.

A Aids é considerada uma epidemia, mas o maior problema ainda é o preconceito. “Viver com Aids é possível, mas não é fácil porque vivemos em uma sociedade que culpabiliza o sujeito, como se a pessoa que tem o vírus fosse culpada. O que nós fizemos para ter HIV? A mesma coisa que todo mundo já fez um dia: acreditou que jamais teria a doença e fez sexo sem proteção”, falou Dario Coelho.

Coelho também destacou a necessidade de pôr fim ao estigma da doença, ainda ligada à promiscuidade. “Infelizmente os gestores preferem trabalhar na perspectiva do medo do que no combate ao estigma. O estigma gera o preconceito. Esse preconceito nos priva de relações afetivas, de relações sociais, do mercado de trabalho. A expectativa de vida de quem tem HIV hoje e está inserido no tratamento é exatamente a mesma de quem não tem o vírus”, registrou.

SUS

O Espírito Santo possui cerca de 15 mil pessoas com a doença diagnosticada. A testagem e todo o tratamento são feitos na rede pública de saúde. De acordo com a coordenadora do Programa Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids, Sandra Fagundes, o Estado registrou queda em 2017 de 10,4% na taxa de detecção da doença. Para ela, o diagnóstico precoce é essencial.

“Com o diagnóstico, o tratamento começa imediatamente. É importante registrar que nós conseguimos grandes avanços no tema. Em termos de diagnóstico, tivemos um avanço tecnológico. Hoje a pessoa pode fazer o teste na rede pública, em qualquer unidade de saúde, e ter um resultado em 15 minutos. No tratamento, também avançamos, com redução na quantidade de medicamento. Tudo isso gerou qualidade de vida e expectativa de vida para quem tem o vírus”, afirmou a médica.

O tratamento é um direito de quem possui HIV e, a partir dele, é possível ter uma vida normal.

“Hoje é mais seguro ter relação sexual com uma pessoa que é soropositiva e se cuida do que com uma pessoa ‘soro-interrogativa’, como eu costumo dizer. A infecção pode acontecer com qualquer pessoa. Infelizmente, por conta do preconceito, nunca vamos ter um plenário cheio de pessoas com HIV lutando por seus direitos. E por causa do medo, da omissão e do estigma, nós estamos perdendo nossos direitos. E temos de ficar muito atentos com o governo do Senhor Jair Bolsonaro, porque ele já disse pretende diminuir a distribuição de retroviral. O SUS é nosso e nós precisamos garantir isso”, destacou Dario Coelho.

Prevenção sempre

Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, a Aids ainda não tem cura e é considerada uma epidemia. Por isso, a prevenção ainda é a melhor escolha. O melhor método é o uso de preservativo na relação sexual.

“A camisinha, feminina ou masculina, ainda é a melhor forma de prevenção. E não apenas da Aids. É importante registrar, especialmente para nossos jovens, que o sexo com proteção é essencial para prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis e outras, que são igualmente sérias”.

Coelho sugeriu que, durante o mês de dezembro, o poder público ofereça testagem itinerante. “Precisamos levar esse exame para as ruas e para os órgãos públicos. É uma forma de dar visibilidade ao tema. As pessoas ainda têm muito medo do diagnóstico. Mas precisamos mostrar que o diagnóstico precoce é a melhor forma de se cuidar e viver com qualidade”, registrou.

Fonte: ALES
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