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Mesmo com todos os benefícios da tecnologia, a forma como crianças e adolescentes estão utilizando a internet e as redes sociais e absorvendo os conteúdos digitais pode inspirar cuidados. O alerta foi feito por especialistas que participaram de um ciclo de palestras realizado na Assembleia Legislativa do Paraná tendo como tema o uso mais seguro da internet por crianças e adolescentes. Batizado de Parentalidade Digital, o debate foi proposto pelo deputado Gilson de Souza (PL), membro da Comissão de Defesa da Criança, do Adolescente e da Pessoa com Deficiência Física. As palestras foram ministradas por especialistas das áreas da ciência da computação, tecnologia da informação, marketing digital, gestão de mídia sociais e psicologia.

De acordo com o parlamentar, o principal objetivo do evento é promover consciência e segurança no ambiente virtual, divulgando informações sobre os cuidados que famílias devem observar quando crianças e adolescentes estão utilizando a internet. ”Como sociedade, vivemos um tempo de muitos desafios relacionados a crimes virtuais praticados especialmente contra crianças e adolescentes. Infelizmente, esses crimes têm se tornado cada vez mais frequentes devido ao acesso generalizado à internet e às redes sociais. Para lidarmos com tudo isso, é necessário um esforço conjunto das famílias, dos educadores, dos provedores de serviços de internet e do Poder Público. Precisamos aumentar a conscientização sobre esse tema, fortalecer as leis e regulamentações existentes, além de também fornecer suporte adequado às vítimas”, disse o deputado.

O deputado Pedro Paulo Bazana (PSD), que também participou do evento, lembrou que as palestras são importantes para chamar a atenção das famílias sobre o comportamento dos jovens na internet. “Sempre frisamos que muitas vezes os pais não se atentam ao o que os filhos estão fazendo por causa da rotina, trabalho e tarefas. No entanto, é necessário que eles fiquem atentos a isso”, reforçou o parlamentar.

Tecnologia e infância

O professor Luciano Frontino de Medeiros é doutor em engenharia e gestão do conhecimento, mestre em informática e com experiência na área da Ciência da Computação. Ele chamou a atenção sobre a importância de se debater constantemente o tema, exemplificando sobre os impactos do celular no ambiente escolar. “A todo o momento, nós vamos ter tecnologias sendo inseridas no contexto da escola, das crianças e dos adolescentes. Atualmente é o caso da inteligência artificial. Antes, tivemos a própria inserção do celular na sociedade, quando nós vimos alguns benefícios. Hoje, algumas pesquisas mostram que os aparelhos dentro das escolas trazem certos prejuízos na questão da aprendizagem”, comentou.

Na opinião do especialista, limites são necessários. “É preciso haver um regramento e um conjunto de diretrizes que precisam ser seguidas para que possamos fazer com que a tecnologia traga benefícios. O excesso não pode prejudicar aprendizagem. Apesar de toda a tecnologia inserida no nosso contexto social, nós vamos continuar sendo humanos”, completou.

Já o doutor em engenharia, mestre em tecnologias e especialista em tecnologia da informação Armando Kolbe Junior ressaltou que pais de crianças e adolescentes precisam refletir sobre o uso da tecnologia dos filhos. Além disso, ele diz que existem legislações de proteção. “Nós somos responsáveis pelas crianças. A partir do momento em que, em muitos aspectos, as crianças dominam mais a tecnologia do que nós, qual é o nosso verdadeiro papel nesse sentido? Temos diversos instrumentos que nos auxiliam no processo, como é o caso do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O que precisamos aprender é como implantar essas leis de uma maneira mais inteligente, que não seja aquela famosa história de ser obrigatório. Talvez o papel do estado, que já tem feito em diversos momentos, é trazer mais os pais também para essa discussão nas escolas”, opinou.

Mestre em gestão da informação e especialista em marketing digital e gestão de mídias sociais, Maria Carolina Bianchi de Avis Neves afirmou que é importante os pais introduzirem o assunto durante conversas com os filhos. “Existem bolhas na internet e algoritmos de relevância que vão determinar qual conteúdo será direcionado ao usuário. Por isso é importante instruir os filhos a consumirem conteúdos de diferentes fontes para não ficarem reféns do algoritmo”, explicou. Ela também alertou que é necessário ensinar quais os perigos e diferenças entre influenciadores e vendedores, conteúdo e propaganda, além de opinião e fato. “Conversar é sempre a melhor forma de proteger”, aconselhou.   

Presenças

Também participaram o psicólogo Flávio Balan, responsável pelo Setor de Psicologia do NUCRIA – Curitiba, o coordenador do Núcleo da Infância e Juventude da Defensoria Pública, Fernando Redede, e o representante do deputado Evandro Araújo (PSD), senhor Luciano Pereira dos Santos.

Fonte: ALEPR

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