alepe-28-06Em Pernambuco, os acidentes de trânsito foram responsáveis por quase 1.900 mortes em 2016. São 20 óbitos a cada grupo de mil habitantes, 85% homens em idade produtiva e quase metade dos casos envolve motocicletas. Os dados apresentados em audiência pública da Comissão de Administração, na quarta (27), devem servir de base para a fixação das metas previstas no Plano  Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), criado no último mês de janeiro por lei federal.

O objetivo é reduzir à metade os índices de mortes por grupo de veículos e de mortes por grupo de habitantes no período de dez anos. A presidente do Conselho Estadual de Trânsito, Simíramis Queiroz, considera que isso só vai ser possível com participação social. “A gente precisa da conscientização e do apoio da população, que ela diga o que ela anseia.”

Ela apresentou os resultados parciais de uma consulta pública disponível no site do Detran. Nas 4.600 respostas até agora, os usuários reclamaram das condições das vias, calçadas e faixas de pedestres. Eles também elegeram o uso do celular e do álcool como os comportamentos de maior risco ao volante. Intensificar a fiscalização eletrônica e investir no transporte público estão entre as sugestões mais recorrentes.

Coordenador da Frente Parlamentar de Trânsito e Transporte,  o deputado Eduíno Brito (PP) defendeu leis mais rígidas para evitar mortes e acidentes. Coordenador da Lei Seca em Pernambuco, o tenente-coronel Fábio Bagetti disse que as ocorrências reduziram desde que as operações começaram, há sete anos. Hoje são realizadas, em média, 200 ações por mês, com a abordagem diária de mil motoristas. “A gente vê realmente uma mudança de comportamento do condutor, mas é um trabalho que tem que ser contínuo. Se nós relaxarmos, o povo terá a percepção de que a operação está faltando nas ruas, e o pessoal voltará a fazer uso do álcool e dirigir.”

Presidente da Comissão de Administração, o deputado Lucas Ramos (PSB) ressaltou que o problema é um dos mais graves da saúde pública e precisa ser tratado com seriedade. Representantes das secretarias estaduais de Saúde e das Cidades, Ministério da Saúde e Polícia Rodoviária Federal também participaram do debate. Daniel Valença, da organização Ameciclo, leu uma carta de protesto contra as mortes de ciclistas no trânsito.

As metas estaduais devem ser enviadas ao Conselho Nacional de Trânsito até 1º de agosto. A conclusão dos trabalhos em Pernambuco depende da consolidação dos dados de 2017 e da consulta pública que ficará disponível no site do Detran até o próximo dia 15 de julho.

Fonte: ALEPE
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