alepa25Quando o assunto é diabetes muitos pensam que é uma doença relacionada a idosos. Porém, segundo dados da Federação Internacional de Diabetes (FID), divulgado em 2014, cerca de 390 milhões de pessoas no mundo são diabéticas, sendo que 11,6 milhões são brasileiras, e desse número, 1 milhão são crianças. A cada ano, cerca de 79 mil crianças são diagnosticadas como diabéticas. No ambiente escolar, as crianças têm dificuldade de ter a mesma rotina dos outros alunos por conta do tratamento. A maior parte das crianças possui o tipo 1 da doença (DM1), que pode ser desenvolvida desde o primeiro ano de vida e é basicamente a incapacidade “natural” do pâncreas de produzir a insulina.

Pensando na qualidade da alimentação oferecida para as crianças diabéticas que frequentam a rede pública de ensino, o deputado Iran Lima apresentou um Projeto Indicativo de Lei que propõe que o Estado garanta aos alunos diabéticos tipo I um cardápio de alimentação escolar adequado para atender suas necessidades de saúde. “Sabemos das dificuldades que os alunos da rede pública enfrentam por não terem uma alimentação adequada para não prejudicar a sua saúde e cabe ao Estado fazer com que a alimentação servida nas escolas garanta essa condição”, explica o deputado.

O projeto foi apresentado durante a Semana de Prevenção ao Diabetes. “No Dia 6 de Novembro, comemoramos o Dia do Diabético. Espero que o governador tenha essa sensibilidade e acate nossa indicação e retorne à Assembleia legislativa um Projeto de Lei estabelecendo a obrigatoriedade desse tipo de cardápio adaptado”, diz Iran Lima. O Projeto de Indicação já seguiu para apreciação do governador.

Segundo a nutricionista do Departamento de Bem Estar (Debes) da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), Liliane Priante, “a má alimentação tem provocado o aumento nos problemas de saúde das crianças, como o diabetes e colesterol alto”. A nutricionista aponta como vilões os alimentos industrializados. “As crianças consomem muito suco de caixinha, salgadinhos, chocolates. É muito açúcar e muito sódio, que só fazem mal”, explica Liliane.

Segundo ela, a alimentação das crianças deve ter atenção especial, pois é na infância que os hábitos alimentares são adquiridos e tendem a ser mantidos na vida adulta. “Da mesma forma que uma má alimentação pode acarretar problemas de saúde imediatos, uma alimentação adequada, desde a infância, pode prevenir diversas doenças crônicas futuras”, diz a nutricionista.

No caso das crianças diabéticas, esse acompanhamento nutricional é importante para garantir uma alimentação equilibrada. “A criança diabética não precisa se privar de tudo, mas tem que ter um cardápio equilibrado para controlar o pico de glicose. Se tiver verduras e legumes, pode associar com outros alimentos”, avalia ela.

Nesse sentido, governos municipais e estaduais estão cada vez mais promovendo ações de educação alimentar e nutricional, além de garantir alimentação especial às crianças e adolescentes que apresentam doenças com restrição alimentar como diabetes, hipoglicemia e hipertensão.

Em Belém, as creches e escolas públicas municipais fornecem alimentação especial para diabéticos. De acordo com a Lei Municipal Lei 8892/2011, que instituiu o Programa de Alimentação Especial a ser fornecido na merenda escolar para atender crianças portadoras de diabetes melito, a escola é obrigada a questionar se o aluno é ou não portador de diabetes no ato da matrícula e orientar todos os alunos acerca da importância de exames de saúde periódicos. Com o  projeto do deputado Iran Lima, esta atenção especial seria estendida a todo o Pará.

DOENÇA – De acordo com a Federação Internacional de Diabetes, hoje o Brasil tem cerca de 12 milhões de diabéticos E quase metade deles não sabe que tem a doença. Os principais sintomas da doença são sede, mais vontade de urinar, perda de peso, muito cansaço e dores dos membros.

Como qualquer outra doença, o diagnóstico precoce da diabetes é importante, pois quanto antes a criança diabética adotar uma alimentação pobre em açúcar e rica em fibras, melhor. Além dos pais, que devem observar sintomas, como urinar em demasia e beber muita água, escolas públicas passaram a adotar ações que visam o diagnóstico.

NUTRICIONAL – A alimentação das crianças diabéticas e dos adultos portadores da doença precisa ser adequada de acordo com o hábito alimentar, a atividade física praticada e o tipo de medicamento que utiliza. O plano alimentar para a criança deve atender as necessidades individuais de calorias e nutrientes para garantir melhor o controle da glicemia e evitar as complicações que possam estar relacionadas à alimentação. Entre as recomendações, estão:

– Realizar de 5 a 6 refeições ao dia, incluindo lanches nos horários intermediários das principais refeições;

– Os doces podem ser ingeridos, de preferência, junto às principais refeições, pois possuem um maior teor de gordura, que levará a uma digestão mais lenta;

– Priorizar alimentos ricos em fibras: verduras e legumes (crus e cozidos) e frutas (com casca e bagaço), pois o conteúdo de fibras nos alimentos diminui a velocidade de absorção dos carboidratos;

– Não exagerar na quantidade de frutas numa mesma refeição;

– Estimular a prática de atividade física regular e programada, pois ajuda a diminuir o nível de glicose no sangue e torna a ação da insulina mais eficiente (no caso do diabetes tipo 1). É indicado que a criança realize um lanche antes da atividade ou diminua a dose de insulina injetável, para que não entre num quadro de hipoglicemia (sempre que possível, tenha tabletes de glicose para o caso de uma reação hipoglicêmica – queda acentuada de açúcar no sangue);

 – Os lanches devem ser constituídos de pequenas unidades, como: uma fruta, um biscoito com um copo de leite, um copo de iogurte, algo bem leve e digestivo. Evite comer em demasia nos lanches e também os petiscos gordurosos ou guloseimas adocicadas que só servem para aumentar o peso e descontrolar a glicemia. Opte pelos alimentos assados e evite os gordurosos e frituras (empadas, coxinhas e salgadinhos) e doces. Pizza e hambúrguer são permitidos, desde que o consumo seja apenas uma vez por semana e sempre substituindo o almoço ou jantar.

Fonte: ALEPA
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