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Atlas da Violência 2019, do Ipea, mostra aumento de 30,7% no número de casos, entre 2007 e 2017.

O aumento de casos de feminicídio no Brasil, indicado pelo Atlas da Violência 2019 publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), será debatido na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta quinta-feira (8/8/19). O tema será tratado em audiência pública da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, a partir das 14 horas, no Auditório SE da ALMG.

O Atlas da Violência 2019 é uma realização do Ipea, em conjunto com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O documento revela que, entre 2007 e 2017, houve um crescimento de 30,7% no número de homicídios de mulheres no País. Apenas em 2017 foram assassinadas 4.936 mulheres, o maior número anual do período analisado, o que representa um aumento de 6,3%, em relação a 2016.

A pesquisa analisa a evolução dos dados de violência no Brasil neste período de dez anos, utilizando dados públicos da área de segurança e também os registros do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde.

A solicitação para realização da audiência pública é de autoria da presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, deputada Marília Campos (PT). Entre os convidados que já confirmaram presença estão a pesquisadora Krislane de Andrade Matias, do Ipea, e a delegada Ingrid Estevam, do Núcleo Especializado de Investigação de Crimes de Feminicídio.

Homicídios cometidos dentro de casa e com arma de fogo crescem

Apesar de a pesquisa do Ipea mostrar um agravamento do feminicídio no Pais, ela mostra um quadro um pouco menos acentuado em Minas Gerais. Em 2017, de acordo com o documento, o Estado apresentou o sexto menor índice de homicídios de mulheres entre as unidades da Federação, de 3,7 mulheres mortas para cada 100 mil. O índice mais alto é o de Roraima, de 10,6.

Outra conclusão destacada pelo Atlas da Violência é que o crescimento mais acentuado na década de 2007-2017 foi na taxa de homicídios ocorridos dentro das residências, com o uso de arma de fogo: 29,8%. Os pesquisadores informam ainda que, apenas em 2017, mais de 221 mil mulheres procuraram delegacias para registrar ocorrências de agressões dentro de suas casas.

“Considerando os altíssimos índices de violência doméstica que assolam o Brasil, a possibilidade de que cada vez mais cidadãos tenham uma arma de fogo dentro de casa tende a vulnerabilizar ainda mais a vida de mulheres em situação de violência”, ponderam os autores, no capítulo dedicado à violência contra a mulher.

Por fim, outro dado destacado pela pesquisa do Ipea é que o número de homicídios de mulheres negras é muito maior e cresce muito mais do que os assassinatos de mulheres não negras.

“Enquanto a taxa de homicídios de mulheres não negras teve crescimento de 4,5% entre 2007 e 2017, a taxa de homicídios de mulheres negras cresceu 29,9%. Em números absolutos a diferença é ainda mais brutal, já que entre não negras o crescimento é de 1,7% e entre mulheres negras de 60,5%”, registra o Atlas da Violência.

Transmissões ao vivo – Todas as reuniões do Plenário e das comissões são transmitidas ao vivo pelo Portal da Assembleia. Para acompanhá-las, basta procurar pelo evento desejado na agenda do dia.

Além disso, quem não puder comparecer à reunião poderá fazer parte do debate por meio da ferramenta Reuniões Interativas do Portal, que estará disponível no momento da audiência. Questionamentos e dúvidas poderão ser encaminhados e, ao final, serão respondidos pelos convidados.

Fonte: ALEMG
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