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Artur Rodrigues e Heloísa Brenha

São Paulo – Enfrentando sua pior crise hídrica em décadas, São Paulo já tem cerca de 2,1 milhões de pessoas submetidas a racionamento oficial de água – o equivalente a 1 em cada 20 habitantes do Estado mais populoso do país.

Elas convivem com interrupções diárias no abastecimento, que duram de quatro horas a dois dias seguidos, aponta levantamento feito pela Folha com mais de 200 municípios que não são atendidos pela Sabesp.

A empresa estadual é responsável por fornecer água a 27,7 milhões de pessoas em 364 cidades no Estado. Ela nega haver adotado rodízio de água em qualquer uma delas, inclusive na capital, embora moradores relatem interrupções no abastecimento principalmente à noite.

Nos outros 281 municípios paulistas não abastecidos pela Sabesp, o fornecimento de água fica a cargo das próprias prefeituras ou de empresas por elas contratadas.

A reportagem contatou centenas/gestores e companhias locais/abastecimento na semana passada, cobrindo todas as cidades com mais de 100 mil habitantes e outras dezenas que adotaram medidas restritivas devido à crise.

Atualmente, o rodízio de água é adotado por 18 municípios paulistas. Entre eles, está o segundo maior do Estado – Guarulhos, na Grande São Paulo, onde 1,3 milhões de moradores passam um de cada dois dias sem água.

Abastecida por um serviço municipal, o SAAE, a cidade foi uma das primeiras impactadas pela crise do sistema Cantareira, principal fonte de água da região metropolitana, que no sábado (9) tinha apenas 14,1% de sua capacidade de armazenamento.

Em março, a Sabesp reduziu em 15,5% o volume de água do Cantareira vendido a Guarulhos, que logo depois adotou rodízio de um dia com água para um dia sem água em todo o município. Segundo o SAAE, era o único meio de “distribuir de forma justa a água disponível”.

Em Valinhos (a 85 km da capital), a “justiça” também foi um argumento para a implementação da medida.

“Com o rodízio, todo mundo sabe o dia que vai ter água e o dia que não vai ter. Sem o rodízio, eram sempre os mesmos bairros que ficavam desabastecidos”, diz Luiz Mayr Neto, presidente do departamento de água local.

Valinhos é uma das 11 cidades na região de Campinas sob racionamento hoje. Outras três ficam na região de Sorocaba, a segunda mais afetada.

Para o professor de engenharia da Unicamp Antonio Carlos Zuffo, muitas dessas cidades dependem da captação de águas superficiais (rios e córregos), que foram especialmente afetadas pela seca atípica deste ano.

“Muitos municípios pequenos têm dificuldade de construir reservatórios porque não têm receita para isso. Daí ficam dependentes das vazões dos rios”, afirma.

A Secretaria de Recursos Hídricos do Estado diz que auxilia as cidades sob racionamento com apoio técnico, mas que não pode repassar mais verbas a elas neste momento devido à lei eleitoral.

Publicado na Folha de São Paulo 11/08/14

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