not_201410071059567705_ggPor: Sérgio Turra

Sérgio Turra é deputado estadual pelo PP-RS

Há muito, uma atividade criminosa corrói silenciosamente a base da economia rio-grandense, age cruelmente em relação aos animais, estimula a sonegação de tributos e ainda coloca em risco a saúde da população.

Velho conhecido dos produtores rurais, o abigeato se sofisticou. Hoje, não é praticado apenas por um ladrão solitário com uma faca na mão. A nova face do abigeato tem o perfil característico do crime organizado. São quadrilhas com comunicação, frotas de veículos e armamento modernos, que aliciam trabalhadores rurais e roubam até mil cabeças de gado por ano. Há, também, furtos de agroquímicos, sementes e máquinas, que elevam ainda mais as perdas dos agricultores.

O abigeato não prejudica apenas a economia rural e os cofres públicos, visto que o abate clandestino não recolhe tributos. Animais são cruelmente sacrificados, mutilados ou queimados vivos. E a carne, recolhida a campo sem nenhum cuidado sanitário, ainda chega aos açougues contendo, por vezes, medicamentos que não tiveram seu prazo de carência respeitado. Um perigo para a saúde dos consumidores.

Em razão da importância do agronegócio, que responde por mais de 40% na formação do PIB gaúcho, o Estado tem de combater essas quadrilhas de forma mais efetiva – com tecnologia e inteligência. A ousadia dos criminosos demanda a dedicação de uma Delegacia Especializada em Crimes Agropecuários. Somente uma delegacia com tal atribuição – inédita no país – poderá centralizar informações e coordenar operações em nível estadual.

A criação da Delegacia Especializada em Crimes Agropecuários que estou pleiteando ao governo – pioneiramente sugerida pelo Sindicato Rural de Dom Pedrito, com o apoio da Farsul – é a garantia de continuidade do trabalho da força-tarefa policial que desmantelou no último ano algumas das maiores quadrilhas em atividade no Estado.

O abigeato exige uma reação à altura de sua audácia. Temos delegacias especializadas em vários tipos de crimes, como os informáticos ou de narcotráfico. Somente com policiais dedicados exclusivamente à repressão aos crimes agropecuários será possível restabelecer a segurança para produtores e consumidores.