20150408-140247-id279-peqPor: Luiz Fernando T. Ferreira

Luiz Fernando T. Ferreira é deputado pelo PT-SP

A educação pode ser o remédio contra a escalada da criminalidade?

Nossa sociedade padece de medo com os alarmantes números da criminalidade em todo o país, e, especialmente, no Estado de São Paulo.

Grande parte desta crescente violência está ligada aos baixos investimentos em educação, bem como à falta de qualidade do nosso ensino.

Com muitas portas fechadas, na família, no convívio social, na escola e no mercado de trabalho, as únicas portas abertas são as do tráfico de drogas e do crime, onde o jovem encontra uma possibilidade de ganho financeiro, além da sensação de respeito e poder dentro de sua comunidade.

Uma recente pesquisa realizada no Rio Grande do Sul concluiu que a “violência extrema” caracterizada pelo ato de matar ou ferir, mesmo quando não há reação da vítima, tem sido praticada na grande maioria das vezes por jovens que abandonaram os estudos entre os 11 e 12 anos.

Mas, retornando para a realidade de SP, recentemente o Ministério Público de Contas denunciou a retirada de mais de R$ 40 bilhões da Educação para cobrir o rombo do Fundo de Previdência dos Servidores Públicos (SPPREV). Essa atitude do governo paulista demonstra sua total falta de seriedade e comprometimento com uma pasta que deveria ser prioritária em qualquer gestão.

São mais de duas décadas de completo descaso com a educação. É difícil tornar a escola um ambiente interessante para os alunos quando nela temos profissionais desvalorizados e desmotivados, com professores que acumulam mais de 20% de perdas salariais, sem reajuste real de salário há mais de três anos, atuando em escolas onde faltam os itens mais básicos como giz, papel, impressoras, livros, computadores. Mais grave ainda é sabermos que verba de merenda é desviada, com a denúncia da participação de agentes públicos, entre os quais, deputados, secretários e outros servidores, sem que haja a devida apuração e punição, e consequentemente fornecendo aos alunos a famigerada “merenda seca” (composta de suco e bolacha), tudo isso em um sistema de “aprovação automática”, que faz com que ele passe de ano sem que precise se dedicar a aprender.

É inegável que a falta de ocupação é uma porta de entrada para a criminalidade, e neste ponto também cabe questionar o abandono de outras pastas como a Cultura e o Esporte, onde basta acompanhar as sucessivas quedas no orçamento para entender a negligência que o Estado pratica contra os nossos jovens.

Mais do que nunca é necessário entender a educação, bem como a cultura e o esporte, como componentes fundamentais para se interromper o fluxo de conversão dos jovens à criminalidade.

O ambiente escolar precisa estar em conexão com a comunidade, entender a realidade de seus alunos, assegurar boas condições de aprendizagem e um ambiente inclusivo e saudável, onde os profissionais são valorizados e os alunos acolhidos. É preciso, sobretudo, acompanhar de perto a frequência dos estudantes e, quando houver desistência, mapear as razões e buscar corrigi-las.

E tudo isso somente será efetivo se houver um criterioso acompanhamento e uma cobrança rigorosa de resultados. É preciso ter disposição e propósito para corrigir os rumos, do contrário vamos continuar vendo o Governo Alckmin construir presídios e Fundações Casa, onde nossos jovens ingressam em verdadeiras “Universidades do Crime”. Assim se dá um ciclo perverso, onde o Estado se omite na educação e formação do jovem, o coloca em uma instituição que não o reabilita e por fim abastece as fileiras do crime organizado com “mão de obra qualificada”. Enquanto isso, a população assiste perplexa e amedrontada à falência da segurança pública, porque a educação está abandonada.